
José Saramago é um dos meus autores favoritos, já li a maior parte dos romances dele:
- Memorial do Convento, 1982
- O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
- A Jangada de Pedra, 1986
- O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
- Ensaio Sobre a Cegueira, 1995
- Todos os Nomes, 1997
- A Caverna, 2000
- Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
- As Intermitências da Morte, 2005
- A Viagem do Elefante, 2008
- Caim, 2009
- Claraboia, 2011
- Objecto Quase, 1978
Ao longo do livro são-nos dados vislumbres do que era a sociedade portuguesa nessa época (1935/1936), a politica, as cheias, o culto de Fátima, os festejos do carnaval e ano novo, alguma visão do papel feminino... também recebemos notícias da conjuntura internacional, Espanha, Itália, Alemanha...
No livro encontramos citações à obra de Fernando Pessoa (e seus heterónimos), a Camões...
Como é recorrente nos livros de Saramago, neste também temos uma componente de "ficção cientifica", Pessoa encontra-se com Ricardo e explica que, depois da morte, terá 9 meses para andar na terra, podendo ser ou não visto pelas outras pessoas, pelo que estas duas personagens (mortas ou vivas?) conversam diversas vezes.
Há duas personagens femininas, Lídia (que é também o nome de uma "musa" de Ricardo Reis) e Marcenda, Lídia uma mulher forte, criada na pensão onde Ricardo fica alojado (mas age de uma forma demasiado submissa para o meu gosto feminista, chega a irritar-me algumas vezes...), Marcenda uma mulher jovem, com o braço esquerdo inerte...
A escrita é a habitual de Saramago, parágrafos longos, sem introdução aos diálogos. Mas é uma escrita apaixonante, conseguimos perfeitamente imaginar os cenários descritos. ☆☆☆☆
