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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Opinião: Terrarium

Dizem que é o melhor livro de ficção cientifica português. Provavelmente será, mas não tenho background para o conseguir afirmar.
Este livro é uma reedição, (revista e aumentada) do livro originalmente publicado em 1996, cuja edição já não é possível encontrar à venda.  
Tem a particularidade de ser escrito  sob a forma de contos (mosaicos) independentes entre si mas que no final todos fazem sentido. Quando li a primeira review que falava neste pormenor fiquei com um pouco de receio, confesso, mas na verdade tudo encaixa e tudo faz sentido, mesmo a personagem nova que aparece quase no final e que eu não estava a perceber para quê!

No futuro a Terra é o planeta para onde são enviadas centenas de diferentes espécies extraterrestres, a maioria por ter sido expulsa do seu sistema de origem.
Ao redor do planeta existe um anel artificial, composto de milhares de naves e outros detritos, naves essas que por vezes caem na Terra, com as consequências que daí advém.
Há uma língua universal (Trade) muita tecnologia avançada (com diferentes graus), exóticos (extraterrestres) com várias formas, uns semelhantes a insectos, outros a mamíferos e outros que utilizam avatares humanos para se apresentarem. Bombas deprimidas (a Triste Judite ficou na minha memória), naves, elevadores até ao anel, armas e outros objectos com Inteligência Artificiai e mesmo IA que são implantadas  nos humanos. Ratos em Londres que ganham um tipo de inteligência quase humana, fauna e flora extraterrestre, flora inteligente, um filofax com a forma de um furão e de nome João (quero um para mim 😉)
No final temos 3 alternativas, um mundo sem humanos, um mundo sem Potestades, um mundo sem IXYITIL. Li os três, claro. Gostei de todos mas tenho o meu preferido para terminar o livro.

Acredito que não tenha conseguido assimilar todas as nuances, devido a algumas referências ao longo do livro, personagens, revistas pulp, ou outros termos próprios deste tipo de livros e a minha grande ignorância no assunto. 
Mas gostei bastante e foi bom para mudar de tema de leitura. 

Podem adquriri o Terrarium aqui.



Autores: João Barreiros e Luís Filipe Silva

Nacionalidade: Portuguesa
Páginas: 559
Ano edição revista e aumentada: 2017
Ano primeira edição (não revista): 1996
Classificação: ⭐⭐⭐⭐

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Opinião: Sonhos Malditos, de Carina Rosa (conto)


Foi o meu segundo contacto com esta autora, o primeiro foi um pequeno romance, A Rapariga do Lago, o qual recomendo a leitura.

Em Sonhos Malditos a temática é muito diferente, trata-se de uma rapariga feiticeira/bruxa, Teresa, que por um acaso (ou talvez não) reencontra um amor de infância, o Henrique.

É um conto dentro da temática fantasia/sobrenatural, onde surgem premonições, objectos voadores,espíritos que se manifestam e até uma ressuscitação.

Achei o conto interessante e bem contado, no entanto penso que falta algo, talvez o desenvolver mais a história e as personagens. Fiquei com a sensação que tudo acontece demasiado rápido e que a história acaba por ser contada de forma muito superficial.

Uma vez que se lê rápido, acaba por ser bom para entreter e ler numa qualquer pausa ao longo do dia.
⭐⭐⭐

terça-feira, 23 de abril de 2019

Novas aquisições


Não costumo partilhar muitas vezes os livros que compro, até porque raramente o faço. Este ano já comprei dois livros, através de sites de vendas em segunda mão, mas entre ontem e hoje foi "um descalabro", muito por culpa do Dia Mundial do Livro e das várias promoções em vigor.

A Saída de Emergência está com promoções até 50% e acumulam com a promoção "2=3, comprei:

  • Windhaven, por ser do George R. Martin (que nunca li) e ter boas referências de quem já leu;
  • Terrarium, por ser ficção cientifica nacional (e vai dar para o projecto #leiturtugas);
  • Os Despojados, por ser de uma autora que quero conhecer mais (Ursula Le Guin)
A Fnac também tem alguns livros a 50%, dali vieram duas novelas gráficas:
  • Maus, que estava na minha lista de livros a ler
  • Monstress, só porque sim!
No OLX comprei "A Vidente", que será o próximo livro a ler da saga Joona Lina (já li os dois primeiros e o 4º livro).

Ainda tenho um cheque oferta para gastar na Bertrand... a ver se passo longe da loja!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Opinião: Impressão Indelével, de Camilo Castelo Branco



Mais um livro de contos que me surpreendeu: primeiro, apesar de o meu pai ter na sua biblioteca vários livros de Camilo castelo Branco, desconhecia os contos dele; segundo, o tema macabro surpreendeu-me.
Este livro reúne 3 contos/novelas, todos com duas figuras em comum: o amor fatalista (que se prolonga para além da morte) e o esqueleto das amadas (ou parte do esqueleto):
  • Impressão indelével (1842);
  • O Esqueleto (1848);
  • A Caveira (1855);

O primeiro conta a história da exumação do cadáver de uma antiga namorada de Camilo, Maria do Adro, e alguns historiadores consideram que história tem um fundo de verdade: para além de ser contada na primeira pessoa, há alguma similaridade com factos da vida de Camilo. Inclusivamente Egas Moniz chega a referir-se a este autor como necrófilo, vindo no entanto mais tarde desmentir esta afirmação:

«O que apenas desejei patentear é que, pelo exame das provas que as biografias publicadas nos fornecem, não podemos deixar a suspeita de que Camilo fosse um necrófilo.» (1). Mais tarde, o Prémio Nobel português rectifica a suspeita , concluindo que: «...Camilo não só nunca foi um anormal genésico, mas não mostra, por este relato, o mais leve pendor para o campo das perversões sexuais.»(2) Contra a tese da necrofilia, está, entre outros, Alexandre Cabral ao dizer que o facto de Camilo ser o sujeito de enunciação da narrativa, não o torna o sujeito da acção.

Ao pesquisar para escrever esta opinião, fiquei com a ideia que Camilo escreveu duas obras com o nome "O Esqueleto", um romance e este conto, que dos três foi talvez o que mais me impressionou, principalmente pelos motivos pelos quais Carlos tem um esqueleto em casa: depois de ter "desgraçado" a vida de uma antiga namorada, é convencido pelo irmão desta, grande amigo de Carlos, que esta entrou para um convento. Convence-o também a regressar à aldeia natal e a casar com ela. Tudo um engodo para vingar o bom nome da sua família (acho que vale bem a pena a leitura).
No último conto o protagonista tem "apenas" uma caveira da amada para venerar. Dos três foi talvez o que gostei menos.

Outro facto interessante que desconhecia, Camilo Castelo Branco teve também ele alguns heterónimos, alguns com nomes bem originais (ou estranhos): "Ninguém, Anastácio das Lombrigas,
Anacleto dos Coentros, AEIOUY, Visconde de Qualquer Coisa, Arqui-Zero" entre outros.


É um livro que recomendo para quem gosta deste tipo de clássicos. Achei também que o português está muito acessível, apesar de algumas palavras mais desconhecidas, está atual.
Recomendo 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Opinião: As máscaras do Destino, de Florbela Espanca


Desconhecia que Florbela Espanca tivesse escrito prosa, até ler num blog literário (não me recordo qual) um comentário a falar deste livro. Tive curiosidade e como estava disponível na biblioteca, requisitei-o.

Este livro contém oito contos, escritos em prosa poética. É um livro para ser lido devagar, a apreciar cada frase:
· O Aviador
· A Morta
· Os Mortos não Voltam
· O resto é perfume
· A paixão de Manuel Garcia
· O Inventor
· As Orações de Soror Maria da Pureza
· O Sobrenatural

A morte está sempre presente nestes contos, aliás o livro foi escrito após a morte do seu irmão, Apeles Espanca, vítima da queda, no rio Tejo, do hidro-avião que pilotava. E é esse episódio, parece-me, que dá inspiração ao primeiro conto, O Aviador

“deixem-no… talvez lhe doam as asas quebradas…” (…) E aquele que tinha sido filho dos homens ficou a dormir na eternidade como se fora um filho dos deuses.”


No conto “A Morta” temos uma jovem, que já estará morta, que se atira ao rio (será que estaria morta por dentro, como Florbela se sentia após a morte do irmão?)
“Isto aconteceu. 
A Morta ouviu dar a última badalada da meia-noite, ergueu os braços, e levantou a tampa do caixão. Desceu devagarinho, circunvagou em redor os olhos de pupilas sem luz; os outros mortos, bem mortos, dormiam pesadamente.“ (…) “Foi então que lhe chegou aos ouvidos um ciciar brandinho... Seriam passos?... Rufiar de asas?... Folhas de Outono tombando?... 

E a Morta parou. 
Marulho de ondas pequeninas. O rio.” 

(…) 
“Debruçou-se... Marulho de ondas... E a morta foi mais uma onda, uma onda pequenina, uma onda azul na taça de prata a faiscar... 

Isto aconteceu.”



Também o conto “O Inventor” me parece poder ter sido escrito em recordação do irmão:

“Quando pela primeira vez voou, não se esqueceu de sentar na carlinga, ao seu lado, ao lado do seu coração, aquela que dali em diante seria a companheira de todos os dias, a companheira indefectível de todos os aviadores: a Morte.” (…) 

“No dia seguinte de manhã, quando o avião sulcou de novo os ares como uma grande gaivota pairando sobre o rio, o aviador olhou para o lado, ao lado do seu peito, na carlinga, e sorriu à companheira invisível que não quisera expulsar.” 

Como é óbvio, gostei mais de alguns contos, por exemplo “Os mortos não Voltam” e “O perfume” não me ficaram na memória.
Li algures que alguns estudiosos desconfiam de um amor incestuoso entre Florbela e Apeles, não sei se será verdade, mas o facto é que estes contos parecem retratar o que ela sentiu com a morte do irmão. Por exemplo “As Orações de Soror Maria da Pureza”, onde retrata uma jovem de 15 anos, que namora ao portão com um homem de 30 por mais de 1 ano – um amor platónico. Findo esse tempo, dizem-lhe que este faleceu e é como se ela morresse em vida, acabando por ir para um convento. Ou o conto “Os mortos não voltam”:

Os mortos não voltam, e é melhor que assim seja... Que vergonha se voltassem! Onde há por aí uma alma de vivo que se tivesse mantido digna de semelhante prodígio?... Eles vão, e a gente fica, e ri, e canta, e deseja, e continua a viver! Mutilados, amputados, às vezes do melhor de nós mesmos, a gente é como estes vermes repugnantes que, cortados aos pedaços, criam novas células, completam-se e continuam a rastejar e a viver! É uma miséria, é, mas é assim!


☆☆☆☆

Na pesquisa que fiz descobri que o nascimento de Florbela Espanca tem também ele uma história singular

Ao descobrir que Mariana não pode dar à luz (madrasta de Florbela), João Maria (pai) consegue convencê-la de uma regra medieval, segundo a qual, quando a mulher não pode ter filhos, o homem está autorizado a cometer adultério, de modo a ter, através de outra mulher os filhos que a esposa não lhe pode dar, filhos esses que depois traria para o lar.

Com o consentimento de Mariana, em 1894, João Maria procura Antónia Lobo, uma mulher humilde, vistosa e desejada na vila, que trabalhava como criada de servir, raptando-a uma noite para a engravidar e mantendo-a escondida durante toda a gravidez.Finalmente, a 8 de Dezembro, Florbela nasce e é baptizada como Flor Bela Lobo, filha de Antónia e de pai incógnito; a madrinha é Mariana, que depois levará Florbela para casa e a tratará como filha. É a casa de Mariana e João Maria Espanca que a Mãe de Florbela se vai dirigir para a amamentar.

Sinto que não tenho maturidade ou conhecimentos suficientes para apreciar devidamente a escrita de Florbela e identificar todos os sentimentos que nos quis transmitir com estes textos. Mas acho que valem uma leitura (até porque é um livro pequeno, se se lê bem) principalmente pela beleza das palavras.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Revista Bang! e um pequeno conto: O Povo do Mar



A editora Saída de Emergência tem uma revista associada, a Revista Bang!, de publicação bianual e disponível gratuitamente no site.
Confesso que não tenho o hábito da literatura fantástica, apesar de o pouco que tenho lido ter gostado.

Eis um dos motivos pelos quais gosto de entrar em desafios: ajudam-nos a sair da nossa zona de conforto!...

Com o projecto #leiturtugas senti necessidade de procurar livros ou contos dentro do género. Foi aí que cheguei à Revista Bang! (que já conhecia mas estava esquecida) e a este conto, publicado no n.º 1. dessa revista (adoro a capa),.




É um conto sobre pessoas que pertenciam a uma ilha que se afundou no mar e vêm parar a Lisboa num cargueiro que aqui fica parado, à espera de melhores dias. Mas esses dias vão passando, essas pessoas ficam esquecidas durante anos e é só quando a curiosidade das autoridades desperta que, ficamos nós a pensar, desperta igualmente a verdadeira natureza desse povo. Um povo que pertence ao mar.



quarta-feira, 13 de março de 2019

Opinião: A Terrível Criatura Sanguinária, de Nuno Markl


Vi a referência a este conto no blog A Lâmpada Mágica e fiquei curiosa.
É um pequeno conto, bastante engraçado e que me colocou um sorriso nos lábios. Bem ao estilo do seu autor Nuno Markl.
A um escritor a quem é recusado um bom livro, que o editor diz não ser vendável, é sugerido a escrita de algo que coloque vampiros, lobisomens e sexo desenfreado. 

"– Vampiros é o que está a dar – diz o editor – vampiros e sexo desenfreado para senhoras que já não fazem sexo, nem desenfreado nem com freio."
Lobisomens também funciona. Em suma: malta que é amaldiçoada por bicharada voraz, devoradora de sangue. Vá para casa e pense nisso.

E é aí que surge o mosquito, será que este serve para vender uma história?
☆☆☆☆

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Novos "projectos" para 2019 - "Leiturtugas" e "So happy with Non Fiction"

Para além dos desafios no Goodreads, "tropecei" em dois outros desafios que me pareceram bem interessantes:

Leiturtugas: organizado pelo autor do blog A Lâmpada Mágica consiste num desafio em ler (e comentar) Ficção Cientifica Portuguesa. Em principio participo na versão mais curta, Leiturtuguinhas.

So happy with Non Fiction: organizado pela autora do blog (e canal youtube) So happ ywith less, onde o objectivo é ler mais livros de não ficção. Após uma  votação renhida entre feminismo e Biografias, foi decidido que em Março leríamos um livro do sub-género "Biografias".

Estes dois desafios vêm mesmo a calhar, por um lado leio pouca Ficção Cientifica, por outro tendo a esquecer um pouco a não-ficção.