
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Opinião: A Cadela, de Pilar Quintana

sábado, 1 de maio de 2021
Opinião: Fantasmas de Oxford
Felicity é uma menina com mutismo seletivo, Nick, o seu pai, é o novo diretor de um colégio de Oxford e Mariah, a madrasta, trabalha com papel de parede (neste livro percebemos que papel de parede pode ser muito importante 😬).Tendo pouco tempo para cuidar de crianças contratam Dee como ama de Felicity. Mas cedo percebemos que todos têm segredos, incluindo a própria casa...
Todos têm segredos que vão sendo revelados.
Será Dee heroína ou vilã?
E onde está Felicity?
segunda-feira, 19 de abril de 2021
Opinião: Os pilares da Terra, Volume I
A trama centra-se no
século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma
catedral gótica, digna de tocar os céus. Em redor desta ambição soberba, o
leitor vai acompanhando um quadro composto por várias personagens, colorido e
rico em acção e descrição de um período da Idade Média a que não faltou
emotividade, poder, vingança e traição
No início tive dificuldade em entrar na história. Para além
de os primeiros capítulos serem um pouco enfadonhos talvez não me apetecesse viajar
para a idade média. Mas estes livros foram-me emprestados em dezembro, portanto
senti alguma pressão em iniciar a leitura dos mesmos.
No entanto, com o avançar da leitura percebi o porquê de ser
um livro amado por muitos: a escrita é simples, sem grandes floreados e contém
descrições muito interessantes sobre o modo de vida na época.
Estão igualmente presentes todos os ingredientes necessários
para uma história interessante: romance, intrigas e violência, bem como algumas
descrições de torturas medievais, tema que sempre me fascinou (aquele fascínio pelo
macabro e o pior da humanidade). Mas tudo com conta, peso e medida.
Uma das personagens principais é Tom Pedreiro, que tem o sonho
em vir a construir uma catedral, razão pela qual não aceitou um lugar fixo como
pedreiro, preferindo ir em busca do seu sonho. No inicio do livro ele está
ocupado a construir uma casa para um fidalgo que se irá casar, e a expectativa é
que essa tarefa dure o suficiente para se manter a si e à sua família durante o
inverno. Mas o casamento é anulado, os trabalhadores despedidos e ele vê-se em
apuros para conseguir sustentar a família (constituída pela esposa grávida e dois
filhos), o que os leva a errar de terra em terra em busca de trabalho, com a
fome a ser uma presença constante.
Aliás, pobreza e fome são temas recorrentes neste livro, o
que nos leva a refletir sobre as dificuldades sentidas por quem viveu nessa
época e não teve a sorte de nascer em “bom berço”.
Para além do povo, temos personagens que representam o
clero, tais como o Prior Phillip ou os gananciosos Bispos Henry e Waleran. A
realeza também está representada, com a abominável família Hamleigh e os caídos
em desgraça Shiring.
Gostei bastante, já tenho o 2º volume que irei ler em breve,
assim que terminar as mil e umas leituras conjuntas em que estou a participar!
sexta-feira, 16 de abril de 2021
Opinião – Apneia, de Tanha Ganho
Ia para esta leitura com algumas expectativas, já que a grande maioria das opiniões é bastante favorável. Talvez tenha sido esse o erro.
É a história de um casal com um filho, cuja
relação entra em rotura e se separam. Mas essa separação não é consensual,
havendo aqui uma posição claramente dominadora do Alessandro sobre a
Adriana. Inicialmente a guarda é conjunta, mas como Alessandro tem um trabalho
que exige várias viagens, existe o risco de ele mudar de país, pelo que ambos
lutam em tribunal pela custódia do filho.
O Alessandro aqui é retratado como
o vilão, fazendo a vida negra à Adriana e, por arrasto, ao filho.
A Adriana é representada como uma
mulher que tudo vai aguentando, lutando pela custódia do filho (e às vezes parece
ser bastante ingénua).
A premissa é boa e a história está
bem contada (apesar de algumas incongruências), no entanto tornou-se demasiado
grande e massudo. Como se a personagem do Alessandro encarnasse todos os homens
filhos-da-put@ que querem moer a cabeça às ex-companheiras, usando os filhos
como arma de arremesso. E o azar da Adriana com os técnicos e os advogados
também me pareceu algo exagerado.
O final é algo abruto e o twist que
a autora lhe dá parece ter sido feito unicamente para dar um fim à
situação, quase como se a história estivesse tão enrolada que já não havia uma solução à vista.
Admito que provavelmente a ideia será causar no leitor cansaço, simulando o desgaste que estes processos causam aos seus intervenientes. Mas menos 300 páginas e provavelmente o livro seria melhor apreciado.
Gostei da referência às obras de arte e de
literatura, bem como o estilo de escrita. Apesar de não ficar nos meus
favoritos fiquei com vontade de ler outras obras da autora. 3 ⭐
sexta-feira, 9 de abril de 2021
Pássaros na Boca - Opinião sobre alguns contos
Já não me recordo o que me levou a querer ler este livro, mas esteve na minha lista de desejos durante bastante tempo. Comprei na booktique (se prezam o vosso dinheiro, não visitem a página) mas também está disponível na wook com uma nova roupagem :)
Estou a gostar bastante, são um misto de realismo mágico, surrealismo, loucura e horror.
quarta-feira, 7 de abril de 2021
Opinião "Campo de Sangue", de Dulce Maria Cardoso
No final desta leitura fiquei com a sensação de ser uma história contada ao contrário: logo no início somos apresentados às personagens e sabemos que estão ali porque ele cometeu um crime. Mas que crime e quais as motivações?
Um livro cheio de pequenos pormenores em que cada frase nos faz pensar e refletir. A louca da pensão, o tempo e o relógio, a obsessão pela rapariga bonita, o corte no pé, o sangue.As personagens femininas que no fundo não são o que parecem: a mãe não assume esse papel, a ex-mulher quer ser amante, a dona da pensão gere um estabelecimento decrépito, a rapariga bonita talvez não seja quem ele julga que ela é.
Fiquei fascinada pelo tipo de escrita e vou certamente ler mais desta autora.
domingo, 28 de março de 2021
Preconceitos Literários e opinião "Não sei nada sobre o amor", de Júlia Pinheiro
Nunca me achei esquesita com as leituras e muito menos preconceituosa, mas há pouco tempo dei comigo na duvida se deveria ler um determinado livro, somente por considerar que aquela autora nunca poderia escrever boa literatura. Uma figura publica, que apresenta programas de entreternimento ligeiro...
Na verdade, o caso foi de tal ordem que até tinha uma certa "vergonha" em divulgar que estava a ler esse livro. Como é possivel ter estes preconceitos em pleno seculo XXI? Pois...
Trata-se do livro "Não sei nada sobre o amor", de Júlia Pinheiro, um livro que adorei, quer a escrita (acessivel mas nada simplista) quer a história: três gerações de mulheres que vivem em diferentes épocas, utrapassando diferentes preconceitos: quer da sociedade, quer delas próprias.
A primeira mulher, vitima de um equivoco, de uma educação rigida, que nada sabe sobre o amor, sobre o sexo.
Uma segunda mulher, que julga saber mais do que a primeira, mas que acaba por cair em armadilhas que ela própria criou.
Uma terceira mulher que, ao querer fugir da sina das anteriores, acaba ela própria por cair nos enganos em que o amor nos pode induzir.
No fundo, quem pode afirmar saber algo sobre o amor?
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Opinião: Terrarium
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Opinião: O quarto dos horrores, de Angela Carter
Pronto, já perceberam a ideia.
Foi graças a um destes desafios, desta vez lançado pela Mafalda do canal A Outra Mafalda, que conheci esta autora e li este livro. Trata-se da #maratonafairytales e são 4 desafios:
1) Ler Conto Tradicional Português
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
Querem um livro para se rirem? "Três homens num Bote"
"Tudo tem os seus inconvenientes, como dizia o outro, quando, tendo-lhe morrido a sogra, vieram apresentar-lhe a conta do enterro"
"No caso presente, voltando ao reclamo das pílulas para o fígado, eu tinha bem evidentes os sintomas hepáticos, dos quais o principal é uma imensa aversão ao trabalho, sob qualquer forma"
"Uma vez ou duas a virtude triunfou: levantei-me às seis horas, vesti-me sumariamente, peguei no fato de banho e na toalha e, um tanto contrariado, pus-me a caminho. Mas o banho não me deu o mínimo prazer. Parece que reservam especialmente para mim, quando vou tomar banho de manhã cedo, um ventinho do nordeste particularmente cortante, escolhem todas as pedrinhas aguadas, para porem ao de cima, afiam as rochas e escondem-nas sob uma leve camada de areia, para que eu não as veja e fazem recuar o mar a três quilómetros de distância. De modo que me vejo obrigado a agasalhar-me com os meus próprios braços e a correr e a tremer e a chapinhar numa água de quinze centímetros de altura. Quando chego ao mar, a água está gelada e desagradável. Uma onda enorme empurra-me e atira-me com toda a força contra um rochedo que puseram ali de propósito para me magoar. E antes que eu tenha tempo de gritar: Ai! ai! e de verificar os estragos, a onda recua e leva-me para o largo. Começo então a nadar freneticamente para terra, perguntando a mim mesmo se tornarei a ver a minha casa e os meus amigos, e sentindo remorsos de não ter sido mais afectuoso com a minha irmãzita, quando era garoto. Acabo de perder toda a esperança quando uma onda, ao retirar-se, me deixa estendido na areia, como se eu fosse uma estrela-do-mar e, quando me levanto, reparo que estive a nadar como um louco em sessenta centímetros de água.
Bom humor inglês a um livro de distância!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
Opinião: A relíquia, de Eça de Queirós
O rapaz cresce e vai percebendo que tem de agradar à titi, isto se quiser aspirar a ser herdeiro da sua fortuna. Mas vai também aprendendo a ludibriar a titi e a fazê-la acreditar que é muito piedoso, casto e um fervente católico.
Um dia a titi envia-o em peregrinação à terra santa e pede-lhe uma relíquia especial. Claro que ele tenta encontrar algo que agrade à senhora e que, definitivamente, a convença a doar-lhe toda a sua fortuna.
Uma "pequena" troca leva a que o seu plano saía gorado e ele seja expulso de casa (e deserdado).
No entanto, quando o Teodorico chega a Jerusalém a narrativa toma um percurso mais fantástico e houve partes que francamente me cansaram (principalmente porque começam as descrições de Eça, ao estilo da descrição do Ramalhete nos Maias – parte que passei à frente quando li essa obra).
Mas destaco um diálogo que ele tem com um vendedor, escorraçado do templo, e durante o qual tendemos a ficar contra Jesus (nesta parte achei que o Saramago tinha vindo inspirar-se no Eça para escrever “O Evangelho Segundo Jesus Cristo). Gostei também da história alternativa à ressurreição (a qual acredito tenha criado alguma celeuma na sociedade portuguesa do seu tempo).
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
Opinião: A bibliotecária de Auschwitz
Confesso que ao inicio estava a achar o livro fraquito, sentia que as personagens andavam muito “à vontade” no campo de concentração. Para mais, nunca tinha lido sobre o campo familiar, pelo que tudo me parecia demasiado ficcional.
Mas na verdade esse campo existiu e a bibliotecária também, bem como a maioria das personagens. O livro está, na minha opinião, escrito num crescendo, pelo que vamos ficando cada vez mais agarrados à leitura. Os horrores vão aumentando e nós vamos ficando mais angustiados por saber o que acontecerá a cada personagem.
Gostei bastante de algumas passagens do livro, onde o autor usou palavras que me fizeram comover:
De repente, parece ter voltado a ser noite.
- O que é isto? – pergunta uma menina, assustada.
- Não tenham medo – diz-lhes Miriam Edelstein. – São os nossos amigos do transporte de Setembro. Estão a voltar.
As crianças e professores juntam-se em silêncio. Muitos rezam em voz baixa. Dita faz concha com as mãos para recolher um pouco daquela chuva de almas e não consegue conter as lágrimas, que abrem sulcos brancos nas suas faces enegrecidas. Miriam Edelstein está abraçada ao filho, Ariah, e Dita junta-se a eles.
- Voltaram, Dita. Voltaram.
Nunca mais sairão de Auschwitz.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
Opinião "Contai aos vossos filhos... Um livro sobre o Holocausto na Europa, 1933-1945"
Não sendo grande especialista em livros sobre a segunda guerra mundial ou o holocausto, arrisco-me a dizer que este livro é bastante completo, na medida em que faz um enquadramento sobre os antecedentes do holocausto, das ideologias nazis, o antisemistismo, biologia racial, contando o percurso até à "solução final".
Percebemos como a propaganda "anti judeus" foi sendo lentamente introduzida na sociedade alemã. Por exemplo, em 1930 foi criado um jogo de tabuleiro chamado “Juden raus" onde o está escrito no tabuleiro "“If you manage to send off 6 Jews, you’ve won a clear victory"
Para além dos Judeus, também os ciganos (este grupo tem a sua própria palavra para o holocausto "Porrajmos"), homossexuais, deficientes físicos e mentais (os primeiros a serem "eliminados", isto apesar de serem alemães), pessoas consideradas "anti sociais" (enfim, a lista é imensa) foram alvo perseguições.
Cada um com o seu tipo de identificação:
▼ Triângulo vermelhoDissidentes políticos: incluindo comunistas, sociais-democratas, liberais, anarquistas e maçons.
▼ Triângulo verdeCriminoso comum: Criminosos de ascendência ariana recebiam frequentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
▼ Triângulo púrpura (roxo)Basicamente aplicava-se a todos os objectores de consciência por motivos religiosos, por exemplo, as Testemunhas de Jeová, que negavam-se a participar dos empenhos militares da Alemanha nazista e a renegar sua fé assinando um termo declarando que serviriam a Adolf Hitler.
▼Triângulo azulImigrantes: Foram usados, por exemplo, pelos prisioneiros Espanhóis que se exilaram em França a seguir à derrota na revolução Espanhola, e que mais tarde foram deportados para a Alemanha Nazista considerados como apátridas.
▼ Triângulo castanhoCiganos roma e sinti.
▼ Triângulo negroLésbicas e mulheres "anti-sociais". (alcoólatras, grevistas, feministas, deficientes e mesmo anarquistas). Os Arianos casados com Judeus recebiam um triângulo negro sobre um amarelo.
▼Triângulo rosaHomens homossexuais
O livro é escrito num crescendo de horrores, à medida que a "máquina nazi" vai aperfeiçoando os seus métodos. Mas é, sem duvida, um livro que vale a pena ler. No entanto, é também um livro difícil de digerir. ⭐⭐⭐⭐⭐
一一一一一一一一一一一
Este livro foi escrito por iniciativa do governo suíço, que em 1997 iniciou uma campanha de informação sobre o holocausto “Living History", sendo esta publicação parte desse movimento. A versão em inglês pode ser descarregada no site https://www.levandehistoria.se/
A versão portuguesa integra o papel de Portugal neste cenário de guerra, pelo que existem algumas diferenças para a versão original.
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Opinião: Dalai-Lama: Autobiografia
A próxima reunião do clube de leitura de que faço parte tem como tema Biografia. Confesso que este não é um género que me puxe muito para ler, por norma não tenho qualquer curiosidade para saber o como foi a vida de pessoas "famosas".
Mas reconheço que estava com uma visão muito limitada das biografias, já que estas podem ser sobre figuras muito interessantes, não propriamente muito famosas ou "da moda". Nada contra com quem leia e goste, simplesmente eu não sinto essa vontade ou curiosidade.
Foi então que me lembrei do Dalai Lama, uma personagem que conhecia pouco: sabia que é o líder espiritual do Tibete, país (ou região) que foi anexada pela China, que vive no exílio e ganhou um Nobel da paz.
Nesta autobiografia fiquei a conhecer melhor o drama que o povo tibetano sofreu (e ainda sofrerá? Tenho de pesquisar, dado que este livro foi publicado há 20 anos), como é que aquele rapazinho de 2 ou 3 anos foi reconhecido como reencarnação do Dalai Lama, como foi a sua educação, a sua ida para o exílio, os usos e costumes deste povo maioritariamente budista e o grande apoio que receberam da Índia, onde foram criadas aldeias para os refugiados e cujo governo os auxiliou bastante.
Não foi um livro fácil de ler, apesar de ter poucas páginas, a letra é muito pequena, a escrita é muito densa, com termos e nomes em tibetano e sânscrito. No entanto, o facto de praticar Yoga-Samkhya (onde são utilizadas algumas designações que surgem neste livro) e a leitura previa do livro Cisnes selvagens ajudou-me a perceber melhor algumas passagens e a formar uma imagem mais clara na minha mente.
Fiquei com vontade de ler outros livros escritos pelo Dalai Lama e outros sobre o budismo e sobre o Tibete.
Ler também é isto, aumentar os horizontes, viajarmos até outras realidades e percebermos melhor o mundo.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Opinião: Breviário das Más inclinações, de José Riço Direitinho
Antes de a enterrar de bruços, o sacristão atirou uma foice por cima do beirado da igreja. Era a sétima pessoa a morrer desde a chegada das febres, no inicio de Dezembro. De maneira que o sétimo morto tinha de descer à terra de bruços, dentro do caixão, para esconjurar a morte.

Um livro que achei delicioso, não tanto pela história em si mas pelos usos e costumes antigos que relata, as mesinhas e ervas que tudo curam, os mitos e superstições, a linguagem de um Portugal rural do tempo dos meus pais e avós. E não esquecer a existência de lobos e javalis, algo que os meus pais também me contam da sua infância e que vi retratado neste livro.
A história é a do nascimento, vida e morte de José de Risso, filho de um pai que nem sabe que o concebeu, cuja mãe morre horas após o seu nascimento. Nasce com a marca de uma folha de carvalho nas costas (e a mãe ainda tem tempo para se aperceber que no seu avental de todos os dias tinha uma folha no bolso, que certamente causou essa marca no filho), no dia do seu baptizado o padre deixa cair a água benta no chão (prenuncio de má sorte) e logo em pequeno gosta de ver as mulheres nuas a tomar banho no rio (um devasso que desde pequeno mostra as suas más inclinações).
Ao logo da sua vida tem premonições, cura pessoas, mas também faz mal a outras tantas.
Ao ler este livro recordei histórias e vivências da minha infância, cujas férias eram passadas na "província", a desfolhada, a matança do porco, as superstições, as festas... o que acredito, tenha contribuído para gostar tanto deste livro.
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Opinião: A Sibila, de Par Lagerkvist
"Não odeias o deus que te tratou dessa maneira, que te fez tudo isso? Não odeias esse ser tão absurdamente cruel?
A velha esperou um pouco antes de responder: parecia refletir. Depois, disse:
Não sei quem ele é. Como poderia, assim, odiá-lo? Ou Amá-lo? Em verdade, parece-me que não o odeio, e que não o amo.
Pensando bem, acho que tais palavras não têm sentido quando se trata dele. Não é como nós e não podemos compreendê-lo. É incompreensível, insondável. É deus."
Este livro foi publicado no nosso país em 1959 e ao longo da leitura não pude deixar de pensar no porquê de Saramago a ter traduzido. Em certa medida, as inquietações religiosas que o autor levanta podem ser comparadas às que Saramago também aborda no Evangelho Segundo Jesus Cristo.
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Opinião: O Rapaz do Pijama às Riscas
Como já referi, este livro veio numa caixa do clube de Leytura, sendo indicado para a faixa de 11 a 13 anos.
Por ser um tema "pesado" muitas pessoas me disseram não acharem adequado para uma criança de 11 anos (idade da B.)dispus-me a lê-lo já.
A história é contada pelos olhos de Bruno, um rapazito alemão de 9 anos, que se muda com a família para uma casa junto a um campo de concentração em "Acho-vil". Ao longo da história percebemos que o pai é um oficial de grande patente, já que chega a receber "Fúria" (Hitler) na sua casa.
Da janela do seu quarto ele vê um conjunto de casas onde moram muitas pessoas vestidas com "pijamas às riscas". Naturalmente curioso, ele começa a explorar as imediações e encontra um rapaz, Shmuel, sentado do outro lado da vedação, com quem trava uma amizade.
O livro é escrito numa linguagem muito acessível (achei mesmo um pouco simplista demais) e nada "gráfico". Ou seja, não são descritos taxativamente os horrores ou mortes de pessoas, mas nós adultos subentendemos muito bem o que se passa.
Em relação a dá-lo a ler à minha filha acho que sim, poderá lê-lo, pois como os horrores surgem nas entrelinhas julgo que não irá ficar demasiado impressionada. No entanto, tenciono que esta seja uma leitura conjunta, mãe e filha, para que possamos falar sobre o que ela está a ler.
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Opinião: Os Despojados, de URSULA K. LE GUIN
Sinopse
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?
Teve passagens em que o achei genial, muito devido à reflexão sociológica que me levava a fazer. Mas teve também partes que achei bastante aborrecidas, principalmente quando era abordada a teoria em que o nosso protagonista estava a trabalhar.
É aqui que vive Shevek, um físico que se sente limitado pelas fronteiras (e limitações) do seu planeta, pelo que viaja até Urras para que possa desenvolver melhor a sua teoria.
Urras é um planeta muito diferente de Anarres, baseado no capitalismo e com uma sociedade muito patriacal (machista, vá). Em Anarres não existe o conceito de posse, mulheres e homens são encarados como iguais.
Inclui este livro no #bookbingoleiturasaosol2019, "último livro que compraste".
quinta-feira, 4 de julho de 2019
Opinião: A noite Sagrada", de Tahar Bem Jelloun
Escolhi este livro para a #MLVoltaaoMundo15, categoria países árabes - Marrocos, um pouco "às escuras" já que a biblioteca local não tem muitas opções. Entrou também para a categoria "um livro de um autor que nunca leste" do #bookbingoleiturasaosol2019.
Conta a história de uma mulher de cerca de 20 anos, que foi criada e viveu como um homem até à noite em que o pai morre e ela se liberta dessa mentira.
Ao longo do livro somos confrontados com alguma fantasia que ocorre na cabeça dela, tal como quando é "raptada" no funeral do pai por um homem misterioso num cavalo, que a leva para uma comunidade só de crianças, onde se liberta e se descobre enquanto mulher. Outras cenas são algo estranhas, como a a "violação" na floresta (e aqui violação está propositadamente entre aspas), que mais tarde vimos a perceber ter sido encarada por ela como necessária para a sua descoberta. Já quase no final do livro surge a cena que me custou mais a ler, devido à violência retratada.
O percurso dela leva-a a conhecer personagens suis generis (tal como ela própria), terminando a meu ver de forma algo estranha.
Gostei do livro mas não é uma leitura para todo o tipo de leitores, já que é intimista, reflexiva, com fantasia e sexo à mistura. Uma miscelânea que acaba por resultar bem!
segunda-feira, 1 de julho de 2019
O "pior" livro que já li (por vontade própria)
Claro que alguns são melhores do que outros e tenho consciência que não gostei de alguns livros por os ler na altura errada.
A Sibila poderá ser um desses, foi a leitura obrigatória no 12º ano do secundário e achei muito difícil de ler. Note-se que com a mesma idade já lia alguns clássicos da literatura portuguesa que muitos detestavam e eu adorava.
Mas aquele livro que me ficou na memória pelos piores motivos, de tão sem nexo que é, foi "Os piores contos dos irmãos Grim"!
Um livro que os autores queriam que fosse humorista mas que não me causou nenhum sorriso... talvez se conhecesse a história real destes irmãos Grim ou um pouco da história local o pudesse ter apreciado de outra forma. Li numa entrevista que comparavam este livro a uma obra de Tarantino, não sei, talvez lhe pudesse dar outra oportunidade... ou talvez o melhor seja não perder mais o meu tempo com uma leitura que, até à data, considero que foi o pior livro que já li por vontade própria!
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D escrever este livro não é facil, pois é daqueles com histórias aparentemente banais, mas que nos fazem sentir e refletir. Damaris é uma mu...
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Neste blog tenho um separador com livros de ficção cientifica, onde constam 3 livros que li, gostei e fiz um post de opinião. São estes o Il...
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Ia para esta leitura com algumas expectativas, já que a grande maioria das opiniões é bastante favorável. Talvez tenha sido esse o erro. É...





















