Mostrar mensagens com a etiqueta Contos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Contos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Pássaros na Boca - Opinião sobre alguns contos

 Já não me recordo o que me levou a querer ler este livro, mas esteve na minha lista de desejos durante bastante tempo. Comprei na booktique (se prezam o vosso dinheiro, não visitem a página) mas também está disponível na wook com uma nova roupagem :) 

Estou a gostar bastante, são um misto de realismo mágico, surrealismo, loucura e horror.





segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Opinião: O quarto dos horrores, de Angela Carter

Em 2020 tinha decidido não participar em desafios de leitura. Mas estes vão surgindo e são interessantes e não conseguimos resistir e fogem da nossa zona de conforto e e e
Pronto, já perceberam a ideia.

Foi graças a um destes desafios, desta vez lançado pela Mafalda do canal A Outra Mafalda, que conheci esta autora e li este livro. Trata-se da #maratonafairytales e são 4 desafios:
1) Ler Conto Tradicional Português
2) Ler Conto Tradicional de outro País 
3) Ler um re-conto de uma história de fadas ou conto tradicional 
4) Ler um livro de Contos Tradicionais ou Contos de Fadas

Este livro de Angela Carter foi uma surpresa. Não estava com nenhuma expectativa, até porque não conhecia a autora e nem me lembro de alguma vez ter lido/visto uma opinião sobre o mesmo. 
Trata-se de um livro de contos, baseados em contos tradicionais, como sejam O Barba Azul, A Bela e o Monstro, A Branca de Neve, O Capuchinho Vermelho, O Gato das Botas, Vampiros, Lobisomens.
Mas estes contos são contados de uma forma peculiar, com finais de que não estamos à espera, cenas de sexo e mulheres poderosas.
Numa versão a Bela transforma-se também ela em algo animal, noutra a avó era o lobisomem, temos o lobisomem que era caçador e é seduzido pela Capuchinho vermelho, uma mãe salva a rapariga das garras de um homem louco... e o nosso Gato das Botas, que com a sua Tabby ajudam os donos a ficarem juntos. 
Não é uma escrita simples e, confesso, alguns contos deixaram-me duvidas sobre o seu significado. 
Acho mesmo que é daqueles livros que merece uma leitura conjunta para troca de impressões. 
Gostei e fiquei tentada a ler os restantes livros da autora que estão disponíveis na biblioteca. 


Nota: Não costumo ler fantasia mas ainda bem que sigo o canal da Mafalda e resolvi participar nesta maratona, foi muito bom sair fora da minha zona de conforto.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Opinião: Sonhos Malditos, de Carina Rosa (conto)


Foi o meu segundo contacto com esta autora, o primeiro foi um pequeno romance, A Rapariga do Lago, o qual recomendo a leitura.

Em Sonhos Malditos a temática é muito diferente, trata-se de uma rapariga feiticeira/bruxa, Teresa, que por um acaso (ou talvez não) reencontra um amor de infância, o Henrique.

É um conto dentro da temática fantasia/sobrenatural, onde surgem premonições, objectos voadores,espíritos que se manifestam e até uma ressuscitação.

Achei o conto interessante e bem contado, no entanto penso que falta algo, talvez o desenvolver mais a história e as personagens. Fiquei com a sensação que tudo acontece demasiado rápido e que a história acaba por ser contada de forma muito superficial.

Uma vez que se lê rápido, acaba por ser bom para entreter e ler numa qualquer pausa ao longo do dia.
⭐⭐⭐

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Opinião: Impressão Indelével, de Camilo Castelo Branco



Mais um livro de contos que me surpreendeu: primeiro, apesar de o meu pai ter na sua biblioteca vários livros de Camilo castelo Branco, desconhecia os contos dele; segundo, o tema macabro surpreendeu-me.
Este livro reúne 3 contos/novelas, todos com duas figuras em comum: o amor fatalista (que se prolonga para além da morte) e o esqueleto das amadas (ou parte do esqueleto):
  • Impressão indelével (1842);
  • O Esqueleto (1848);
  • A Caveira (1855);

O primeiro conta a história da exumação do cadáver de uma antiga namorada de Camilo, Maria do Adro, e alguns historiadores consideram que história tem um fundo de verdade: para além de ser contada na primeira pessoa, há alguma similaridade com factos da vida de Camilo. Inclusivamente Egas Moniz chega a referir-se a este autor como necrófilo, vindo no entanto mais tarde desmentir esta afirmação:

«O que apenas desejei patentear é que, pelo exame das provas que as biografias publicadas nos fornecem, não podemos deixar a suspeita de que Camilo fosse um necrófilo.» (1). Mais tarde, o Prémio Nobel português rectifica a suspeita , concluindo que: «...Camilo não só nunca foi um anormal genésico, mas não mostra, por este relato, o mais leve pendor para o campo das perversões sexuais.»(2) Contra a tese da necrofilia, está, entre outros, Alexandre Cabral ao dizer que o facto de Camilo ser o sujeito de enunciação da narrativa, não o torna o sujeito da acção.

Ao pesquisar para escrever esta opinião, fiquei com a ideia que Camilo escreveu duas obras com o nome "O Esqueleto", um romance e este conto, que dos três foi talvez o que mais me impressionou, principalmente pelos motivos pelos quais Carlos tem um esqueleto em casa: depois de ter "desgraçado" a vida de uma antiga namorada, é convencido pelo irmão desta, grande amigo de Carlos, que esta entrou para um convento. Convence-o também a regressar à aldeia natal e a casar com ela. Tudo um engodo para vingar o bom nome da sua família (acho que vale bem a pena a leitura).
No último conto o protagonista tem "apenas" uma caveira da amada para venerar. Dos três foi talvez o que gostei menos.

Outro facto interessante que desconhecia, Camilo Castelo Branco teve também ele alguns heterónimos, alguns com nomes bem originais (ou estranhos): "Ninguém, Anastácio das Lombrigas,
Anacleto dos Coentros, AEIOUY, Visconde de Qualquer Coisa, Arqui-Zero" entre outros.


É um livro que recomendo para quem gosta deste tipo de clássicos. Achei também que o português está muito acessível, apesar de algumas palavras mais desconhecidas, está atual.
Recomendo 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Opinião: As máscaras do Destino, de Florbela Espanca


Desconhecia que Florbela Espanca tivesse escrito prosa, até ler num blog literário (não me recordo qual) um comentário a falar deste livro. Tive curiosidade e como estava disponível na biblioteca, requisitei-o.

Este livro contém oito contos, escritos em prosa poética. É um livro para ser lido devagar, a apreciar cada frase:
· O Aviador
· A Morta
· Os Mortos não Voltam
· O resto é perfume
· A paixão de Manuel Garcia
· O Inventor
· As Orações de Soror Maria da Pureza
· O Sobrenatural

A morte está sempre presente nestes contos, aliás o livro foi escrito após a morte do seu irmão, Apeles Espanca, vítima da queda, no rio Tejo, do hidro-avião que pilotava. E é esse episódio, parece-me, que dá inspiração ao primeiro conto, O Aviador

“deixem-no… talvez lhe doam as asas quebradas…” (…) E aquele que tinha sido filho dos homens ficou a dormir na eternidade como se fora um filho dos deuses.”


No conto “A Morta” temos uma jovem, que já estará morta, que se atira ao rio (será que estaria morta por dentro, como Florbela se sentia após a morte do irmão?)
“Isto aconteceu. 
A Morta ouviu dar a última badalada da meia-noite, ergueu os braços, e levantou a tampa do caixão. Desceu devagarinho, circunvagou em redor os olhos de pupilas sem luz; os outros mortos, bem mortos, dormiam pesadamente.“ (…) “Foi então que lhe chegou aos ouvidos um ciciar brandinho... Seriam passos?... Rufiar de asas?... Folhas de Outono tombando?... 

E a Morta parou. 
Marulho de ondas pequeninas. O rio.” 

(…) 
“Debruçou-se... Marulho de ondas... E a morta foi mais uma onda, uma onda pequenina, uma onda azul na taça de prata a faiscar... 

Isto aconteceu.”



Também o conto “O Inventor” me parece poder ter sido escrito em recordação do irmão:

“Quando pela primeira vez voou, não se esqueceu de sentar na carlinga, ao seu lado, ao lado do seu coração, aquela que dali em diante seria a companheira de todos os dias, a companheira indefectível de todos os aviadores: a Morte.” (…) 

“No dia seguinte de manhã, quando o avião sulcou de novo os ares como uma grande gaivota pairando sobre o rio, o aviador olhou para o lado, ao lado do seu peito, na carlinga, e sorriu à companheira invisível que não quisera expulsar.” 

Como é óbvio, gostei mais de alguns contos, por exemplo “Os mortos não Voltam” e “O perfume” não me ficaram na memória.
Li algures que alguns estudiosos desconfiam de um amor incestuoso entre Florbela e Apeles, não sei se será verdade, mas o facto é que estes contos parecem retratar o que ela sentiu com a morte do irmão. Por exemplo “As Orações de Soror Maria da Pureza”, onde retrata uma jovem de 15 anos, que namora ao portão com um homem de 30 por mais de 1 ano – um amor platónico. Findo esse tempo, dizem-lhe que este faleceu e é como se ela morresse em vida, acabando por ir para um convento. Ou o conto “Os mortos não voltam”:

Os mortos não voltam, e é melhor que assim seja... Que vergonha se voltassem! Onde há por aí uma alma de vivo que se tivesse mantido digna de semelhante prodígio?... Eles vão, e a gente fica, e ri, e canta, e deseja, e continua a viver! Mutilados, amputados, às vezes do melhor de nós mesmos, a gente é como estes vermes repugnantes que, cortados aos pedaços, criam novas células, completam-se e continuam a rastejar e a viver! É uma miséria, é, mas é assim!


☆☆☆☆

Na pesquisa que fiz descobri que o nascimento de Florbela Espanca tem também ele uma história singular

Ao descobrir que Mariana não pode dar à luz (madrasta de Florbela), João Maria (pai) consegue convencê-la de uma regra medieval, segundo a qual, quando a mulher não pode ter filhos, o homem está autorizado a cometer adultério, de modo a ter, através de outra mulher os filhos que a esposa não lhe pode dar, filhos esses que depois traria para o lar.

Com o consentimento de Mariana, em 1894, João Maria procura Antónia Lobo, uma mulher humilde, vistosa e desejada na vila, que trabalhava como criada de servir, raptando-a uma noite para a engravidar e mantendo-a escondida durante toda a gravidez.Finalmente, a 8 de Dezembro, Florbela nasce e é baptizada como Flor Bela Lobo, filha de Antónia e de pai incógnito; a madrinha é Mariana, que depois levará Florbela para casa e a tratará como filha. É a casa de Mariana e João Maria Espanca que a Mãe de Florbela se vai dirigir para a amamentar.

Sinto que não tenho maturidade ou conhecimentos suficientes para apreciar devidamente a escrita de Florbela e identificar todos os sentimentos que nos quis transmitir com estes textos. Mas acho que valem uma leitura (até porque é um livro pequeno, se se lê bem) principalmente pela beleza das palavras.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Revista Bang! e um pequeno conto: O Povo do Mar



A editora Saída de Emergência tem uma revista associada, a Revista Bang!, de publicação bianual e disponível gratuitamente no site.
Confesso que não tenho o hábito da literatura fantástica, apesar de o pouco que tenho lido ter gostado.

Eis um dos motivos pelos quais gosto de entrar em desafios: ajudam-nos a sair da nossa zona de conforto!...

Com o projecto #leiturtugas senti necessidade de procurar livros ou contos dentro do género. Foi aí que cheguei à Revista Bang! (que já conhecia mas estava esquecida) e a este conto, publicado no n.º 1. dessa revista (adoro a capa),.




É um conto sobre pessoas que pertenciam a uma ilha que se afundou no mar e vêm parar a Lisboa num cargueiro que aqui fica parado, à espera de melhores dias. Mas esses dias vão passando, essas pessoas ficam esquecidas durante anos e é só quando a curiosidade das autoridades desperta que, ficamos nós a pensar, desperta igualmente a verdadeira natureza desse povo. Um povo que pertence ao mar.



quarta-feira, 13 de março de 2019

Opinião: A Terrível Criatura Sanguinária, de Nuno Markl


Vi a referência a este conto no blog A Lâmpada Mágica e fiquei curiosa.
É um pequeno conto, bastante engraçado e que me colocou um sorriso nos lábios. Bem ao estilo do seu autor Nuno Markl.
A um escritor a quem é recusado um bom livro, que o editor diz não ser vendável, é sugerido a escrita de algo que coloque vampiros, lobisomens e sexo desenfreado. 

"– Vampiros é o que está a dar – diz o editor – vampiros e sexo desenfreado para senhoras que já não fazem sexo, nem desenfreado nem com freio."
Lobisomens também funciona. Em suma: malta que é amaldiçoada por bicharada voraz, devoradora de sangue. Vá para casa e pense nisso.

E é aí que surge o mosquito, será que este serve para vender uma história?
☆☆☆☆