"Não odeias o deus que te tratou dessa maneira, que te fez tudo isso? Não odeias esse ser tão absurdamente cruel?
A velha esperou um pouco antes de responder: parecia refletir. Depois, disse:
Não sei quem ele é. Como poderia, assim, odiá-lo? Ou Amá-lo? Em verdade, parece-me que não o odeio, e que não o amo.
Pensando bem, acho que tais palavras não têm sentido quando se trata dele. Não é como nós e não podemos compreendê-lo. É incompreensível, insondável. É deus."
Este livro foi publicado no nosso país em 1959 e ao longo da leitura não pude deixar de pensar no porquê de Saramago a ter traduzido. Em certa medida, as inquietações religiosas que o autor levanta podem ser comparadas às que Saramago também aborda no Evangelho Segundo Jesus Cristo.
Neste livro temos duas personagens - o homem que não deixou o filho de deus se encostar na sua casa, durante o calvário, e por isso foi amaldiçoado por ele - e uma Pítia do santuário de Delfos, mulher que era possuída pelo espírito do deus e através da qual os sacerdotes do templo interpretavam a sua mensagem.
Gostei de ler este clássico (eu gosto de ler clássicos) mas é uma narrativa que pode não prender toda a gente, já que temos as duas personagens a contar a sua própria história, com destaque para a voz da Pítia. Mas levanta algumas questões interessantes, faz-nos pensar e reflectir.











