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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Opinião: A bibliotecária de Auschwitz

Li este livro para o projeto da Dora Santos Marques, #HOL75.

Confesso que ao inicio estava a achar o livro fraquito, sentia que as personagens andavam muito “à vontade” no campo de concentração. Para mais, nunca tinha lido sobre o campo familiar, pelo que tudo me parecia demasiado ficcional.

Mas na verdade esse campo existiu e a bibliotecária também, bem como a maioria das personagens. O livro está, na minha opinião, escrito num crescendo, pelo que vamos ficando cada vez mais agarrados à leitura. Os horrores vão aumentando e nós vamos ficando mais angustiados por saber o que acontecerá a cada personagem.

Gostei bastante de algumas passagens do livro, onde o autor usou palavras que me fizeram comover:
De repente, parece ter voltado a ser noite.
- O que é isto? – pergunta uma menina, assustada.
- Não tenham medo – diz-lhes Miriam Edelstein. – São os nossos amigos do transporte de Setembro. Estão a voltar.
As crianças e professores juntam-se em silêncio. Muitos rezam em voz baixa. Dita faz concha com as mãos para recolher um pouco daquela chuva de almas e não consegue conter as lágrimas, que abrem sulcos brancos nas suas faces enegrecidas. Miriam Edelstein está abraçada ao filho, Ariah, e Dita junta-se a eles.
- Voltaram, Dita. Voltaram.
Nunca mais sairão de Auschwitz.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A ler e próximos na lista

Ainda no tema do holocausto estou a ler a Bibliotecária de Auschwitz. Quem mo emprestou recomendou bastante o livro mas não sei se vou gostar assim tanto. Por vezes vou com tanta expectativa para a leitura que acabo por não ficar plenamente satisfeita.


Para desanuviar um pouco, decidimos que o próximo tema do clube de leitura seria "livros que nos façam sentir bem/rir". Encontrei um artigo Livros que nos fazem rir, segundo Ricardo Araújo Pereira  e com base em livros que ele recomenda (e o que estava disponível na biblioteca) requisitei mais 3 títulos: 
  • Enviado especial, de Evelyn Waugh
  • Três homens num bote, de Jerome K. Jerome
  • A relíquia, de Eça de Queiroz
Espero conseguir dar umas gargalhadas com alguns deles.

sábado, 4 de janeiro de 2020

O que ando a ler

Terminei 2019 a ler livros sobre o holocausto e iniciei 2020 na mesma onda.
O último que li

Fala do campo de mulheres em Auschwitz-Birkenau, desde a criação do campo original, à sua expansão, a vida infernal e a morte das mulheres aqui detidas.

Depois de terminar este iniciei 

Retrata a vida de Mengele e a sua fuga (ele nunca foi preso e julgado pelos seus atos, andou em fuga e veio a falecer no Brasil em 1979).
Neste livro existe um pequeno capítulo onde são relatadas algumas das experiências por ele realizadas (para as quais me faltam adjectivos adequados) mas já percebi que o grosso do livro irá retratar a fuga deste homem através da Europa e da América do Sul.

Sinto que quando terminar este ciclo de leituras sobre o holocausto terei de pegar em algo mais "leve" e aprazível. No entanto, estão a ser leituras muito enriquecedoras, no sentido de estar a ficar mais elucidada e desperta para este episódio da nossa história mundial.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Opinião "Contai aos vossos filhos... Um livro sobre o Holocausto na Europa, 1933-1945"

Como disse no post anterior, escolhi este livro apenas por estar disponível na sala de leitura. E, confesso, quando o fui buscar estive quase para lá o deixar. Ainda bem que não o fiz.

Não sendo grande especialista em livros sobre a segunda guerra mundial ou o holocausto, arrisco-me a dizer que este livro é bastante completo, na medida em que faz um enquadramento sobre os antecedentes do holocausto, das ideologias nazis, o antisemistismo, biologia racial, contando o percurso até à "solução final".

Percebemos como a propaganda "anti judeus" foi sendo lentamente introduzida na sociedade alemã. Por exemplo, em 1930 foi criado um jogo de tabuleiro chamado “Juden raus" onde o está escrito no tabuleiro "“If you manage to send off 6 Jews, you’ve won a clear victory"


Para além dos Judeus, também os ciganos (este grupo tem a sua própria palavra para o holocausto "Porrajmos"), homossexuais, deficientes físicos e mentais (os primeiros a serem "eliminados", isto apesar de serem alemães), pessoas consideradas "anti sociais" (enfim, a lista é imensa) foram alvo perseguições.
Cada um com o seu tipo de identificação:

▼ Triângulo amareloJudeus: dois triângulos sobrepostos, para formar a Estrela de Davi, com a palavra "Jude" (judeu em alemão) inscrita; mischlings i.e., aqueles que eram considerados apenas parcialmente judeus, muitas vezes usavam apenas um triângulo amarelo.
▼ Triângulo vermelhoDissidentes políticos: incluindo comunistas, sociais-democratas, liberais, anarquistas e maçons.
▼ Triângulo verdeCriminoso comum: Criminosos de ascendência ariana recebiam frequentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
▼ Triângulo púrpura (roxo)Basicamente aplicava-se a todos os objectores de consciência por motivos religiosos, por exemplo, as Testemunhas de Jeová, que negavam-se a participar dos empenhos militares da Alemanha nazista e a renegar sua fé assinando um termo declarando que serviriam a Adolf Hitler.
Triângulo azulImigrantes: Foram usados, por exemplo, pelos prisioneiros Espanhóis que se exilaram em França a seguir à derrota na revolução Espanhola, e que mais tarde foram deportados para a Alemanha Nazista considerados como apátridas.
▼ Triângulo castanhoCiganos roma e sinti.
▼ Triângulo negroLésbicas e mulheres "anti-sociais". (alcoólatras, grevistas, feministas, deficientes e mesmo anarquistas). Os Arianos casados com Judeus recebiam um triângulo negro sobre um amarelo.
Triângulo rosaHomens homossexuais




O livro é escrito num crescendo de horrores, à medida que a "máquina nazi" vai aperfeiçoando os seus métodos. Mas é, sem duvida, um livro que vale a pena ler. No entanto, é também um livro difícil de digerir. ⭐⭐⭐⭐⭐

一一一一一一一一一一一
Este livro foi escrito por iniciativa do governo suíço, que em 1997 iniciou uma campanha de informação sobre o holocausto “Living History", sendo esta publicação parte desse movimento. A versão em inglês pode ser descarregada no site https://www.levandehistoria.se/
A versão portuguesa integra o papel de Portugal neste cenário de guerra, pelo que existem algumas diferenças para a versão original.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Ler sobre o Holocausto

O Holocausto (ou segunda grande guerra) foi o tema escolhido para o próximo encontro do clube de leitura de Santarém. A "culpa" é da Dora, que organiza todos os anos, em Janeiro, um projecto dedicado ao tema (podem ver como foi no ano passado com a hashtag #hol74)  já que é nesse mês que se comemora o aniversário da libertação de Auschwitz.

Este é um tema que pode ser algo deprimente, mas é importante que as pessoas leiam sobre ele, vejam filmes, documentários, séries, para que nunca se esqueçam do que a crueldade e a indiferença podem causar.

Sendo assim, já iniciei as minhas leituras sobre o tema e já seleccionei alguns ("poucos") livros para ir buscar à biblioteca.

Lidos:






Os que irei requisitar hoje na biblioteca (porque estão disponíveis na sala de leitura que frequento)





Mengele : o médico responsável pelas terríveis experiências de Auchwitz: a vida e a fuga de um dos grandes criminosos da segunda guerra mundial (e que nunca foi julgado pelos seus atos).
Inferno de Mulheres: livro dedicado às deportadas de Auschwitz que souberam tão bem como os homens resistir ao inferno dos campos nazis
Contai aos vossos filhos: não consegui encontrar grande informação sobre o livro, mas é relativamente pequeno e tem boa classificação no goodreads, pelo que o meti nesta lista.


Outros que quero ler:




Não irei ler todos estes livros de uma assentada (até porque seria bastante deprimente) mas estou particularmente interessada no livro O meu coração ferido. A vida de Lilli Jahn 1900-1944

"Lilli Jahn cresceu no seio protector de uma abastada família judia de Colónia. No princípio dos anos 20 estudava medicina, ia ao teatro e a concertos e discutia apaixonadamente sobre literatura, arte e religião com o seu namorado protestante, Ernst, com o qual se viria a casar. Tiveram cinco filhos, enquanto a sua vida se ia infectando com o veneno da política nazi. Ernst não suportou a pressão externa e divorciou-se em 1942, deixando Lilli à mercê do regime. Foi levada para um campo de trabalhos forçados, enquanto os seus filhos tiveram de enfrentar sozinhos a vida diária de um país em guerra."

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Opinião: O Rapaz do Pijama às Riscas



Como já referi, este livro veio numa caixa do clube de Leytura, sendo indicado para a faixa de 11 a 13 anos.
Por ser um tema "pesado" muitas pessoas me disseram não acharem adequado para uma criança de 11 anos (idade da B.)dispus-me a lê-lo já.
A história é contada pelos olhos de Bruno, um rapazito alemão de 9 anos, que se muda com a família para uma casa junto a um campo de concentração em "Acho-vil". Ao longo da história percebemos que o pai é um oficial de grande patente, já que chega a receber "Fúria" (Hitler) na sua casa.
Da janela do seu quarto ele vê um conjunto de casas onde moram muitas pessoas vestidas com "pijamas às riscas". Naturalmente curioso, ele começa a explorar as imediações e encontra um rapaz, Shmuel, sentado do outro lado da vedação, com quem trava uma amizade.
O livro é escrito numa linguagem muito acessível (achei mesmo um pouco simplista demais) e nada "gráfico". Ou seja, não são descritos taxativamente os horrores ou mortes de pessoas, mas nós adultos subentendemos muito bem o que se passa.
Em relação a dá-lo a ler à minha filha acho que sim, poderá lê-lo, pois como os horrores surgem nas entrelinhas julgo que não irá ficar demasiado impressionada. No entanto, tenciono que esta seja uma leitura conjunta, mãe e filha, para que possamos falar sobre o que ela está a ler.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Opinião:O Tatuador de Auschwitz


Em janeiro comemoraram-se os 74 anos da libertação de Auschwitz-Birkenau e por esta altura alguns canais do youtube - incluindo o da Dora Santos Marques que este ano criou a hashtag  #hol74 organizam leituras sobre o tema.
No ano passado li dois livros sobre a temática, sendo o meu preferido o de Primo Levi:

  


Em relação a este livro "O Tatuador de Auschwitz" gostei mas não me "encheu as medidas".
É uma história verídica sobre um jovem - Lale - que vai parar a este campo de concentração e decide que irá sobreviver, a todo o custo.
Lá acaba por se tornar no tetovier (tatuador principal do campo, cuja função é tatuar no braço o número de cada prisioneiro), o que lhe deu acesso a alguns "privilégios" extra. É nessa função que conhece Gita, uma jovem por quem se acaba por apaixonar.
O livro gira então à volta da vida no campo de concentração, no romance entre Lale e Gita, na forma como ele tenta sobreviver (contando com a ajuda de trabalhadores externos ao campo, que lhe trazem comida enquanto ele lhes dá dinheiro e jóias que alguma prisioneiras conseguem arranjar).
Um livro sobre resistência humana e sobre um amor em tempos muito difíceis.
Destaque para alguns relatos da realidade do campo, das atrocidades que são cometidas, da chegada de Josef Mengele (o médico da morte), do facto de no final, após ter conseguido sair daquele campo, haver pessoas que nem sabiam o que se passava por lá.
☆☆☆☆ (seria mais 3 e meia)
#hol74