sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Novas aquisições

Mulheres que Correm com os Lobos: quando vi este livro à venda por um bom preço, não resisti. Confesso que não sei quase nada sobre o livro, mas tenho "tropeçado" neste nome diversas vezes, como sendo um livro de alguma forma especial e "emponderante" para as mulheres.
O Livro Tibetano da Vida e da Morte: porque adorei ler a biografia de Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso (o 14º Dalai Lama), me sinto de alguma forma conectada com o budismo, o budismo está de algumas formas interligado com o yoga, e me parece que é um livro que me irá ajudar a aprofundar os meus conhecimentos.



Ou seja, comprei dois livros dos quais não sei quase nada mas que de alguma forma espero que venham a contribuir para o meu crescimento interior. Ponto a meu favor: posso dizer que foram uma pechincha (dois pelo preço de um, completamente novos).

(ps: ainda bem que não prometi não comprar nada este ano)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A Ler: Distância de Segurança by Samanta Schweblin,

Comecei ontem, estou quase a terminar e parece-me que vai ser daqueles livros a ficar na memória.
Não tanto pela história em si, mas pelas sensações que transmite.
Estava a ser uma leitura quase frenética, não o terminei apenas porque as letras já dançavam no papel e dessa forma nem estava a aproveitar a leitura.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Opinião: O quarto dos horrores, de Angela Carter

Em 2020 tinha decidido não participar em desafios de leitura. Mas estes vão surgindo e são interessantes e não conseguimos resistir e fogem da nossa zona de conforto e e e
Pronto, já perceberam a ideia.

Foi graças a um destes desafios, desta vez lançado pela Mafalda do canal A Outra Mafalda, que conheci esta autora e li este livro. Trata-se da #maratonafairytales e são 4 desafios:
1) Ler Conto Tradicional Português
2) Ler Conto Tradicional de outro País 
3) Ler um re-conto de uma história de fadas ou conto tradicional 
4) Ler um livro de Contos Tradicionais ou Contos de Fadas

Este livro de Angela Carter foi uma surpresa. Não estava com nenhuma expectativa, até porque não conhecia a autora e nem me lembro de alguma vez ter lido/visto uma opinião sobre o mesmo. 
Trata-se de um livro de contos, baseados em contos tradicionais, como sejam O Barba Azul, A Bela e o Monstro, A Branca de Neve, O Capuchinho Vermelho, O Gato das Botas, Vampiros, Lobisomens.
Mas estes contos são contados de uma forma peculiar, com finais de que não estamos à espera, cenas de sexo e mulheres poderosas.
Numa versão a Bela transforma-se também ela em algo animal, noutra a avó era o lobisomem, temos o lobisomem que era caçador e é seduzido pela Capuchinho vermelho, uma mãe salva a rapariga das garras de um homem louco... e o nosso Gato das Botas, que com a sua Tabby ajudam os donos a ficarem juntos. 
Não é uma escrita simples e, confesso, alguns contos deixaram-me duvidas sobre o seu significado. 
Acho mesmo que é daqueles livros que merece uma leitura conjunta para troca de impressões. 
Gostei e fiquei tentada a ler os restantes livros da autora que estão disponíveis na biblioteca. 


Nota: Não costumo ler fantasia mas ainda bem que sigo o canal da Mafalda e resolvi participar nesta maratona, foi muito bom sair fora da minha zona de conforto.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Resumo Janeiro 2020

Comecei o mês de Janeiro ainda no tema "Holocausto", com o livro Mengele (iniciado a 30 Dezembro de 2019) e A Bibliotecária de Auschwitz. Um livro de não ficção e outro baseado em factos verídicos.
Para desanuviar fui em busca de livros com um toque de humor: A Relíquia e Três Homens num Bote foram boas surpresas, especialmente o livro de Jerome  K. Jerome que me fez dar umas boas gargalhadas.
Terminei ainda o livro de Luís Sepúlveda Todas as Fábulas, que tinha iniciado no inicio de Dezembro do ano passado. Demorei algum tempo a terminar o livro porque fui colocando outros à frente, mas são fábulas de fácil leitura, que se lêem num ápice.
Li ainda uma obra de Mia Couto Venenos de  Deus, Remédios do Diabo, uma re-leitura muito agradável. A escrita de Mia Couto é cheia de metáforas e alegorias e foi uma lufada de ar fresco nas minhas leituras.
Por último, e numa de ler os livros emprestados que tinha em casa, li O Fim da inocência2. Confesso que ao fim das primeiras 40 páginas tive de desabafar com alguém, tal o choque que os relatos (verídicos) me estavam a causar. Quero acreditar que aquela não é a realidade de todos os jovens, mas é chocante o que os miúdos faziam aos 12/14 anos. Um livro de 292 páginas que li em 24h.

Atribui a todos os livros 4 estrelas, com excepção do O Fim da Inocência ao qual dei 5 estrelas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Querem um livro para se rirem? "Três homens num Bote"



Este livro foi uma feliz surpresa, dei umas boas gargalhadas em algumas partes, noutras apenas sorri e apreciei o fino humor inglês. 
"Tudo tem os seus inconvenientes, como dizia o outro, quando, tendo-lhe morrido a sogra, vieram apresentar-lhe a conta do enterro"
"No caso presente, voltando ao reclamo das pílulas para o fígado, eu tinha bem evidentes os sintomas hepáticos, dos quais o principal é uma imensa aversão ao trabalho, sob qualquer forma" 

E a descrição de um banho no mar mais engraçada que alguma vez li:
"Uma vez ou duas a virtude triunfou: levantei-me às seis horas, vesti-me sumariamente, peguei no fato de banho e na toalha e, um tanto contrariado, pus-me a caminho. Mas o banho não me deu o mínimo prazer. Parece que reservam especialmente para mim, quando vou tomar banho de manhã cedo, um ventinho do nordeste particularmente cortante, escolhem todas as pedrinhas aguadas, para porem ao de cima, afiam as rochas e escondem-nas sob uma leve camada de areia, para que eu não as veja e fazem recuar o mar a três quilómetros de distância. De modo que me vejo obrigado a agasalhar-me com os meus próprios braços e a correr e a tremer e a chapinhar numa água de quinze centímetros de altura. Quando chego ao mar, a água está gelada e desagradável. Uma onda enorme empurra-me e atira-me com toda a força contra um rochedo que puseram ali de propósito para me magoar. E antes que eu tenha tempo de gritar: Ai! ai! e de verificar os estragos, a onda recua e leva-me para o largo. Começo então a nadar freneticamente para terra, perguntando a mim mesmo se tornarei a ver a minha casa e os meus amigos, e sentindo remorsos de não ter sido mais afectuoso com a minha irmãzita, quando era garoto. Acabo de perder toda a esperança quando uma onda, ao retirar-se, me deixa estendido na areia, como se eu fosse uma estrela-do-mar e, quando me levanto, reparo que estive a nadar como um louco em sessenta centímetros de água.

Bom humor inglês a um livro de distância!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Opinião: A relíquia, de Eça de Queirós

Um rapazito, Teodorico, fica órfão e vai viver para casa de uma “titi”, D. Patrocinia, uma senhora austera, muito beata, sem filhos e para quem as coisas do amor são umas imundices (incluindo o ter filhos!).
O rapaz cresce e vai percebendo que tem de agradar à titi, isto se quiser aspirar a ser herdeiro da sua fortuna. Mas vai também aprendendo a ludibriar a titi e a fazê-la acreditar que é muito piedoso, casto e um fervente católico.
Um dia a titi envia-o em peregrinação à terra santa e pede-lhe uma relíquia especial. Claro que ele tenta encontrar algo que agrade à senhora e que, definitivamente, a convença a doar-lhe toda a sua fortuna.
Uma "pequena" troca leva a que o seu plano saía gorado e ele seja expulso de casa (e deserdado).


A escrita tem um toque de humor e ironia, percebendo-se uma critica ao ambiente de fanatismo religioso (e hipócrita?) vivido em Portugal na época.
No entanto, quando o Teodorico chega a Jerusalém a narrativa toma um percurso mais fantástico e houve partes que francamente me cansaram (principalmente porque começam as descrições de Eça, ao estilo da descrição do Ramalhete nos Maias – parte que passei à frente quando li essa obra).
Mas destaco um diálogo que ele tem com um vendedor, escorraçado do templo, e durante o qual tendemos a ficar contra Jesus (nesta parte achei que o Saramago tinha vindo inspirar-se no Eça para escrever “O Evangelho Segundo Jesus Cristo). Gostei também da história alternativa à ressurreição (a qual acredito tenha criado alguma celeuma na sociedade portuguesa do seu tempo).

Em resumo, gostei de ler este livro, recomendo a quem for fã de clássicos e tiver um à vontade com a leitura que permita ler de viés as partes menos boas ou compreensíveis da história. E claro, para quem for fã do estilo descritivo de Eça de Queirós.