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terça-feira, 12 de maio de 2020

Últimos livros lidos

No inicio do surto em Portugal os  meus dias eram passados a acompanhar os últimos números, em reuniões sobre planos de contingência e a ler as normas e orientações que iam sendo emanadas.
Depois a situação parece que "explodiu" e a minha concentração caiu. Lia a mesma página diversas vezes ou simplesmente nem lia, ia para a cama ver vídeos sobre a situação na China ou acompanhar posts sobre a pandemia.
Tinha noites em que acordava e sentava-me automaticamente na cama, ou acordava e ficava duas horas sem conseguir adormecer.
Daí ter lido muito pouco, alguns livros mereciam muito mais de mim (mais atenção e concentração) e ter deixado completamente de escrever sobre o que estava a ler ou tinha lido.
Facto curioso: estar a ler um livro, as personagens darem um aperto de mão e eu pensar "então não sabem do distanciamento social?!?" (podem ver que eu estava a dar em louca).

Mas aqui vai um resumo daquilo que li, não cheguei a falar, mas que me parece valer a pena registar:
Distância de Segurança
 O meu último post foi sobre este livro e certamente que vale a pena lê-lo. Perturbador, lê-se num fôlego e com um certo grau de ansiedade. Reservem duas horas para o lerem de uma só vez. Vale bem a pena.

 Uma graphic novel, distopica, que nos faz sentir uma raiva imensa daquela sociedade e do (des)valor atribuído às mulheres. Se forem daqueles que gostam de teorias da conspiração correm o risco de comparar algumas das alterações às nossas liberdades que atualmente vivemos com as alterações sofridas no inicio da história (lentas e insidiosas). 
Vou querer ler a obra original. 

Peguei neste livro devido às excelentes opiniões que vi no youtube, pensei eu que seria uma leitura ligeira e agradável. 
Não estava preparada para a experiência de leitura que seria este livro... Gostei da história (há quem a classifique como YA mas eu acho que tem alguma profundidade, pelo menos em algumas passagens fez-me parar para pensar) mas o melhor de tudo é a forma como está escrita, as imagens que acompanham, tudo contribui para uma excelente experiência de leitura.
Facto irónico: também aqui há um agente infeccioso e uma quarentena (estava eu a querer abstrair-me da realidade atual...).   


Três leituras de 5 ⭐
 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Opinião: MAUS, de Art Spiegelman

Mais um livro sobre o holocausto, neste caso uma excelente Graphic Novel, a preto e branco, escrita por Itzhak Avraham ben Zeev (nome original do autor) que ganhou um Pulitzer por este livro.
Conta a história do pai do autor, Vladek, desde quando conheceu a esposa e mãe de Art, até à sua vida num campo de concentração.
Mostra  como o avançar da "purga" dos nazis foi feita de forma gradual, com os judeus a pouco e pouco perderem os seus direitos, sendo enviados para guetos e por fim para a "solução final". Conta a forma como os judeus foram sobrevivendo, com os subornos, os esconderijos, a fome.. a morte dos mais velhos e dos mais novos, de familiares e amigos, a incerteza sobre o dia de amanhã...
Isto com cenas "atuais", com o filho a entrevistar o pai, a relação conflituosa deste com a atual esposa, a sua relação com o dinheiro e o próprio filho.
Apesar dos desenhos estarem a preto e branco, a intensidade dos traços e os detalhes ajudam a dar ênfase ao que é contado. Sem contar com o pormenor (em parte com fundamentos históricos*) de os os nazis serem retratados como gatos, os judeus ratos (maus, em alemão), os polacos porcos e os americanos cães.
É sem duvida um bom livro para ler e reler.


* "As propagandas do regime ensinavam que confinar e matar judeus, assim como ciganos e outras “raças parasitárias”, era uma medida de saneamento, como exterminar ratos e bactérias." in: super.abril
"Durante a Segunda Guerra Mundial era frequente que os nazistas chamassem com desprezo os poloneses de “porcos”, “porcos poloneses”, “sujos porcos poloneses” (em alemão: “polnische Schweine”)." in UFSC QORPUS

terça-feira, 28 de maio de 2019

Graphic novel: Monstress - Despertar


Este ano decidi sair da minha zona de conforto, dai ter começado a explorar outros géneros literários.
É o caso das graphic novel, que só comecei a ler este ano.

Esta Monstress - Despertar é o primeiro volume de 3 já editados pela Saída de Emergência
Num mundo alternativo de beleza art déco inspirado na Ásia oriental, eis que nos chega uma história de coragem, vingança e compaixão…
Maika Meiolobo é uma adolescente que sobreviveu a uma guerra cataclísmica entre humanos e arcânicos, uma raça híbrida que descende dos Anciãos. Escravizada por bruxas inimigas que suspeitam dos seus poderes latentes, Maika começa a desvendar o seu misterioso passado e, durante o processo, descobre que tem uma ligação psíquica com uma poderosa criatura de outro mundo.Perante a opressão e o terrível perigo, Maika torna-se caçadora e presa, perseguida por aqueles que desejam usá-la, colocando-a no centro de uma guerra devastadora entre forças humanas e sobrenaturais. Enquanto isso, o monstro no seu interior começa a despertar...

Escrita por Marjorie Liu (Americana com origem chinesa) e ilustrada por Sana Takeda (Japonesa) nota-se a influência asiática nas ilustrações e personagens.
Confesso que ao inicio estava com dificuldade em compreender a história, mas com o avançar das páginas começa a fazer sentido. E a certo ponto surge um gato que nos vai explicar algumas coisas sobre este mundo que estamos a descobrir.
Maika  é uma arcânica mas muito semelhante a uma adolescente humana, que está a tentar descobrir quem verdadeiramente é, acabando por descobrir ter um "monstro" dentro de si a despertar... Aborda temas como a escravidão, a xenofobia, a ética, numa sociedade formada por 5 raças, onde vemos uma forte presença feminina.
Adorei as ilustrações, a história achei razoável...mas talvez seja falta de hábito na ficção cientifica.
No entanto, fiquei com vontade de ler o resto da colecção.

☆☆☆☆