
Esta é uma história verídica sobre três gerações de mulheres, avó, mãe e filha, nascidas sobre o regime de Kuomintang, atravessando as convulsões da guerra civil chinesa e mais tarde o regime de Mao Tse-tung
Li uma review que dizia que este é um livro cheio de desgraças folha após folha, o que é uma boa descrição.
A avó nascida numa época que as mulheres pouco valiam (numa parte do livro é dito que a sua própria mãe “rezava” para que reencarnasse como um animal e não como mulher), as concubinas, o opio...
Depois o partido comunista sobe ao poder e é impressionante como este comandava a vida pessoal dos cidadãos, como as ideias de Mao mudavam ao sabor de sabe-se lá o quê e como foram cometidas tantas injustiças.
Era mal visto que as pessoas tivessem afeto pela família e que esse afeto se sobrepusesse aos interesses do partido, tudo podia de alguma forma “ofender o partido”. Pessoas que foram torturadas ou assassinadas por suspeitas mínimas (ou por vezes puras vinganças pessoais).
A Campanha Antidireitista, onde havia metas para serem encontrados “direitistas” (que poderiam vir a sofrer tortura, trabalhos forçados ou mesmo ser condenados à morte), O Grande Salto em Frente (inflacionamento irreal da produção alimentar, incentivo à produção de aço e posterior abandono da produção agrícola, o que resultou um grande período de fome), a Revolução Cultural (com a perseguição aos professores, destruição do sistema de ensino, de livros, de marcos culturais).
A falta de assistência médica de qualidade, a baixa instrução do povo (em especial dos camponeses), mais tarde, quando se mostrou a necessidade de qualificar alguns cidadãos, era o partido a decidir quem entrava na faculdade e para que curso (Mao não gostava de exames e os cidadãos não podiam ter gostos próprios - tudo tinha de ser feito em prol do interesse superior do partido), se a pessoa pode ir para as cidade ou fica no campo, os casais que estão geograficamente separados e apenas se podem ver durante 12 dias ao ano.
E a devoção a Mao, quase endeusado.
Uma devoção causada pela eliminação da cultura, nas escolas apenas estudavam o Livro Vermelho de Mao e o Diário do Povo (jornal oficial do partido comunista chinês), que logicamente enalteciam as virtudes do ditador e as suas ideias.
Confesso que desconhecia totalmente a história da China, fiquei muito impressionada com o que li. Certas partes fizeram-me recordar os livros sobre o Holocausto e a vida nos campos de concentração (a fome, os trabalhos forçados a troco de quase nada,…).
Não é um livro fácil de ler, quer pelo tema quer pela escrita, mas é um livro que deveria ser lido por mais pessoas.

☆☆☆☆




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