Confesso que ao inicio estava a achar o livro fraquito, sentia que as personagens andavam muito “à vontade” no campo de concentração. Para mais, nunca tinha lido sobre o campo familiar, pelo que tudo me parecia demasiado ficcional.
Mas na verdade esse campo existiu e a bibliotecária também, bem como a maioria das personagens. O livro está, na minha opinião, escrito num crescendo, pelo que vamos ficando cada vez mais agarrados à leitura. Os horrores vão aumentando e nós vamos ficando mais angustiados por saber o que acontecerá a cada personagem.
Gostei bastante de algumas passagens do livro, onde o autor usou palavras que me fizeram comover:
De repente, parece ter voltado a ser noite.
- O que é isto? – pergunta uma menina, assustada.
- Não tenham medo – diz-lhes Miriam Edelstein. – São os nossos amigos do transporte de Setembro. Estão a voltar.
As crianças e professores juntam-se em silêncio. Muitos rezam em voz baixa. Dita faz concha com as mãos para recolher um pouco daquela chuva de almas e não consegue conter as lágrimas, que abrem sulcos brancos nas suas faces enegrecidas. Miriam Edelstein está abraçada ao filho, Ariah, e Dita junta-se a eles.
- Voltaram, Dita. Voltaram.
Nunca mais sairão de Auschwitz.

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