Mais um livro de contos que me surpreendeu: primeiro, apesar de o meu pai ter na sua biblioteca vários livros de Camilo castelo Branco, desconhecia os contos dele; segundo, o tema macabro surpreendeu-me.
Este livro reúne 3 contos/novelas, todos com duas figuras em comum: o amor fatalista (que se prolonga para além da morte) e o esqueleto das amadas (ou parte do esqueleto):
- Impressão indelével (1842);
- O Esqueleto (1848);
- A Caveira (1855);
O primeiro conta a história da exumação do cadáver de uma antiga namorada de Camilo, Maria do Adro, e alguns historiadores consideram que história tem um fundo de verdade: para além de ser contada na primeira pessoa, há alguma similaridade com factos da vida de Camilo. Inclusivamente Egas Moniz chega a referir-se a este autor como necrófilo, vindo no entanto mais tarde desmentir esta afirmação:
«O que apenas desejei patentear é que, pelo exame das provas que as biografias publicadas nos fornecem, não podemos deixar a suspeita de que Camilo fosse um necrófilo.» (1). Mais tarde, o Prémio Nobel português rectifica a suspeita , concluindo que: «...Camilo não só nunca foi um anormal genésico, mas não mostra, por este relato, o mais leve pendor para o campo das perversões sexuais.»(2) Contra a tese da necrofilia, está, entre outros, Alexandre Cabral ao dizer que o facto de Camilo ser o sujeito de enunciação da narrativa, não o torna o sujeito da acção.
Ao pesquisar para escrever esta opinião, fiquei com a ideia que Camilo escreveu duas obras com o nome "O Esqueleto", um romance e este conto, que dos três foi talvez o que mais me impressionou, principalmente pelos motivos pelos quais Carlos tem um esqueleto em casa: depois de ter "desgraçado" a vida de uma antiga namorada, é convencido pelo irmão desta, grande amigo de Carlos, que esta entrou para um convento. Convence-o também a regressar à aldeia natal e a casar com ela. Tudo um engodo para vingar o bom nome da sua família (acho que vale bem a pena a leitura).
No último conto o protagonista tem "apenas" uma caveira da amada para venerar. Dos três foi talvez o que gostei menos.
Outro facto interessante que desconhecia, Camilo Castelo Branco teve também ele alguns heterónimos, alguns com nomes bem originais (ou estranhos): "Ninguém, Anastácio das Lombrigas,
Anacleto dos Coentros, AEIOUY, Visconde de Qualquer Coisa, Arqui-Zero" entre outros.
Anacleto dos Coentros, AEIOUY, Visconde de Qualquer Coisa, Arqui-Zero" entre outros.
É um livro que recomendo para quem gosta deste tipo de clássicos. Achei também que o português está muito acessível, apesar de algumas palavras mais desconhecidas, está atual.
Recomendo


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