quarta-feira, 26 de junho de 2019

Opinião: MAUS, de Art Spiegelman

Mais um livro sobre o holocausto, neste caso uma excelente Graphic Novel, a preto e branco, escrita por Itzhak Avraham ben Zeev (nome original do autor) que ganhou um Pulitzer por este livro.
Conta a história do pai do autor, Vladek, desde quando conheceu a esposa e mãe de Art, até à sua vida num campo de concentração.
Mostra  como o avançar da "purga" dos nazis foi feita de forma gradual, com os judeus a pouco e pouco perderem os seus direitos, sendo enviados para guetos e por fim para a "solução final". Conta a forma como os judeus foram sobrevivendo, com os subornos, os esconderijos, a fome.. a morte dos mais velhos e dos mais novos, de familiares e amigos, a incerteza sobre o dia de amanhã...
Isto com cenas "atuais", com o filho a entrevistar o pai, a relação conflituosa deste com a atual esposa, a sua relação com o dinheiro e o próprio filho.
Apesar dos desenhos estarem a preto e branco, a intensidade dos traços e os detalhes ajudam a dar ênfase ao que é contado. Sem contar com o pormenor (em parte com fundamentos históricos*) de os os nazis serem retratados como gatos, os judeus ratos (maus, em alemão), os polacos porcos e os americanos cães.
É sem duvida um bom livro para ler e reler.


* "As propagandas do regime ensinavam que confinar e matar judeus, assim como ciganos e outras “raças parasitárias”, era uma medida de saneamento, como exterminar ratos e bactérias." in: super.abril
"Durante a Segunda Guerra Mundial era frequente que os nazistas chamassem com desprezo os poloneses de “porcos”, “porcos poloneses”, “sujos porcos poloneses” (em alemão: “polnische Schweine”)." in UFSC QORPUS

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