terça-feira, 31 de julho de 2018

Opinião: O Barão de Lavos, de André Botelho





















Considerado como o primeiro livro a abordar o tema da homossexualidade, foi publicado em 1891, inserido na série Patologia Social, na qual o autor pretendia  retratar os vícios da sociedade portuguesa, sobretudo a lisboeta, através dos métodos experimentais do Naturalismo.

Conta a história do Barão de Lavos (Sebastião), de origem nobre mas ramos "bastardos" (o que, a par de algumas outras características biográficas, "justificaria" as suas tendências homossexuais ou bissexuais), casado com Elvira (um casamento por conveniência: ele quer esconder as suas tendências sexuais, ela quer ascender na sociedade) e que se apaixona por Eugénio, um jovem efebo sem família, que aceita a sua "protecção" em troca de um tecto, dinheiro e outras mordomias.
Com o avançar da história o Barão vê-se cada vez mais "preso" a Eugénio, que aproveita-se disso em proveito próprio (exige cada vez mais dinheiro e bens materiais), acabando mesmo por se envolver sexualmente (e romanticamente?) com Elvira.

O fim acaba por ser um pouco previsível, face à época e tema abordado: o Barão adoece, acaba por ter um final de vida degradante (apesar de ainda ser ajudado por alguns amigos), Elvira regressa a casa da mãe (mas possivelmente irá acabar por ter um final feliz junto do homem que sempre  amou) e o Eugénio surge como actor.

Destaque ainda para a particularidade de existirem outras personagens homossexuais no livro, não directamente relacionadas com a história principal (mas dando a entender que "existem outros com os mesmos vícios") e nos ser dada uma visão de alguns abusos/grupos homossexuais em colégios internos ou no meio eclesiástico.

O tema homossexualidade aqui é retratado como vício, doença, patologia dependente da educação tida e dos antecedentes familiares, enfim, uma visão que felizmente está cada vez mais ultrapassada.

Não achei que o livro abordasse a pedofilia, como li em algumas opiniões, pois se considerarmos a época em que foi escrito, 16 anos era uma idade perfeitamente aceitável para casar. Aliás, penso que as meninas poderiam mesmo casar mais cedo, desde que já "fossem mulheres".

Gostei do livro, li a versão disponibilizada no site luso-livros, em que a linguagem está adaptada aos tempos atuais. Mesmo assim consultei diversas vezes o dicionário, para verificar alguns termos mais antigos ou rebuscados.

Inseri esta leitura em duas maratonas literárias: Livro publicado à mais de 10  anos #bookbingoleiturasaosol2 e Livro com tema LGBT #MLPalavrasdeVerão.


☆☆☆



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