segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Opinião: A relíquia, de Eça de Queirós

Um rapazito, Teodorico, fica órfão e vai viver para casa de uma “titi”, D. Patrocinia, uma senhora austera, muito beata, sem filhos e para quem as coisas do amor são umas imundices (incluindo o ter filhos!).
O rapaz cresce e vai percebendo que tem de agradar à titi, isto se quiser aspirar a ser herdeiro da sua fortuna. Mas vai também aprendendo a ludibriar a titi e a fazê-la acreditar que é muito piedoso, casto e um fervente católico.
Um dia a titi envia-o em peregrinação à terra santa e pede-lhe uma relíquia especial. Claro que ele tenta encontrar algo que agrade à senhora e que, definitivamente, a convença a doar-lhe toda a sua fortuna.
Uma "pequena" troca leva a que o seu plano saía gorado e ele seja expulso de casa (e deserdado).


A escrita tem um toque de humor e ironia, percebendo-se uma critica ao ambiente de fanatismo religioso (e hipócrita?) vivido em Portugal na época.
No entanto, quando o Teodorico chega a Jerusalém a narrativa toma um percurso mais fantástico e houve partes que francamente me cansaram (principalmente porque começam as descrições de Eça, ao estilo da descrição do Ramalhete nos Maias – parte que passei à frente quando li essa obra).
Mas destaco um diálogo que ele tem com um vendedor, escorraçado do templo, e durante o qual tendemos a ficar contra Jesus (nesta parte achei que o Saramago tinha vindo inspirar-se no Eça para escrever “O Evangelho Segundo Jesus Cristo). Gostei também da história alternativa à ressurreição (a qual acredito tenha criado alguma celeuma na sociedade portuguesa do seu tempo).

Em resumo, gostei de ler este livro, recomendo a quem for fã de clássicos e tiver um à vontade com a leitura que permita ler de viés as partes menos boas ou compreensíveis da história. E claro, para quem for fã do estilo descritivo de Eça de Queirós. 

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