sexta-feira, 16 de abril de 2021

Opinião – Apneia, de Tanha Ganho

Ia para esta leitura com algumas expectativas, já que a grande maioria das opiniões é bastante favorável. Talvez tenha sido esse o erro.

É a história de um casal com um filho, cuja relação entra em rotura e se separam. Mas essa separação não é consensual, havendo aqui uma posição claramente dominadora do Alessandro sobre a Adriana. Inicialmente a guarda é conjunta, mas como Alessandro tem um trabalho que exige várias viagens, existe o risco de ele mudar de país, pelo que ambos lutam em tribunal pela custódia do filho.

O Alessandro aqui é retratado como o vilão, fazendo a vida negra à Adriana e, por arrasto, ao filho.

A Adriana é representada como uma mulher que tudo vai aguentando, lutando pela custódia do filho (e às vezes parece ser bastante ingénua).

A premissa é boa e a história está bem contada (apesar de algumas incongruências), no entanto tornou-se demasiado grande e massudo. Como se a personagem do Alessandro encarnasse todos os homens filhos-da-put@ que querem moer a cabeça às ex-companheiras, usando os filhos como arma de arremesso. E o azar da Adriana com os técnicos e os advogados também me pareceu algo exagerado.

O final é algo abruto e o twist que a autora lhe dá parece ter sido feito unicamente para dar um fim à situação, quase como se a história estivesse tão enrolada que já não havia uma solução à vista.

Admito que provavelmente a ideia será causar no leitor cansaço, simulando o desgaste que estes processos causam aos seus intervenientes. Mas menos 300 páginas e provavelmente o livro seria melhor apreciado.


Gostei da referência às obras de arte e de literatura, bem como o estilo de escrita. Apesar de não ficar nos meus favoritos fiquei com vontade de ler outras obras da autora. 3 ⭐

Apneia




2 comentários:

  1. As histórias no tribunal são mesmo assim. Tenho dezenas de histórias de técnicos, idas a tribunais e etc de alunos meus que davam um filme. Assisti às mesmas coisas narradas entre pai e mãe desavindoa à minha frente. Já tive miúdos a dizerem que não conseguem impor.se perante um juiz, etc. Mas sim, o livro tem a mulher boa vs o homem pai mau, tudo bastante estereotipado.
    Concordo contigo quanto ao fim: não faz sentido, demasiado forçado.

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  2. Mas tudo lhe aconteceu, técnicos que não viram, que desistiram, aquela cena do advogado de familia (revirei os olhos nessa).
    Fiz leitura conjunta deste livro e um dos membros é jurista, achou que várias passagens estavam escandalosamente erradas. Eu essa parte não consegui avaliar, mas achei muito exagerado e cansativo.

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