quarta-feira, 10 de julho de 2019

A ler: Fome, de Knut Hamsun




No último encontro do clube do livro aqui da zona algumas participantes levaram livros para troca.
Um dos que estava em cima da mesa era este, cuja antiga proprietária não acabou de ler, pois não estava a gostar.

É contado na primeira pessoa, um jovem escritor que luta contra a pobreza e contra a fome. Fome que é retratada de forma muito crua e ilustrada, em que o leitor quase sente o mau estar físico do protagonista.

Ele tenta arranjar vários estratagemas para conseguir algum dinheiro para que possa comprar pão, mas raramente consegue.
As suas desventuras (e os delírios de que sofre, possivelmente derivados da má nutrição) podiam levar a que recorresse a atitudes menos honestas, mas ele tem mostrado um carácter integro, algo orgulhoso, mostrando mesmo angustia por não arranjar trabalho e não conseguir ajudar outros pobres como ele.

E angustia estava eu a sentir ontem, por ver que tudo corria mal ao nosso personagem, que quase morria de fome...


Vou sensivelmente a meio e julgo que será uma das minhas grandes leituras do ano!




segunda-feira, 8 de julho de 2019

Opinião: Os Despojados, de URSULA K. LE GUIN

Sinopse

A jornada de um homem em busca da reconciliação de dois mundos
Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?


Este não foi um livro fácil de formar opinião, tanto assim que ao longo da leitura pensava em simplesmente não o classificar.
Teve passagens em que o achei genial, muito devido à reflexão sociológica que me levava a fazer. Mas teve também partes que achei bastante aborrecidas, principalmente quando era abordada a teoria em que o nosso protagonista estava a trabalhar.
Anarres e Urras são como a nossa Lua e Terra, sendo que os habitantes de Anarres foram colonos provenientes de Urras, pessoas que se rebelaram contra o sistema vigente e quiseram formar uma nova sociedade.
É aqui que vive Shevek, um físico que se sente limitado pelas fronteiras (e limitações) do seu planeta, pelo que viaja até Urras para que possa desenvolver melhor a sua teoria.
Urras é um planeta muito diferente de Anarres, baseado no capitalismo e com uma sociedade muito patriacal (machista, vá). Em Anarres não existe o conceito de posse, mulheres e homens são encarados como iguais.
Com o desenrolar da leitura fui gostando cada vez mais deste livro e fiquei mesmo com vontade de conhecer os restantes da autora, nomeadamente os referentes ao Ciclo de Hainish, do qual este pode ser considerado uma prequela.

Inclui este livro no #bookbingoleiturasaosol2019, "último livro que compraste".

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Opinião: A noite Sagrada", de Tahar Bem Jelloun


"Um homem não tem nada na origem, é verdade, e nada devia ter no fim. Ora inculcou-se ao homem a necessidade de possuir: uma casa, pais, filhos, pedras, títulos de propriedade, dinheiro, oiro, pessoas... Eu estou a aprender a não possuir."


Escolhi este livro para a #MLVoltaaoMundo15, categoria países árabes - Marrocos, um pouco "às escuras" já que a biblioteca local não tem muitas opções. Entrou também para a categoria "um livro de um autor que nunca leste" do #bookbingoleiturasaosol2019.


Conta a história de uma mulher de cerca de 20 anos, que foi criada e viveu como um homem até à noite em que o pai morre e ela se liberta dessa mentira.
Ao longo do livro somos confrontados com alguma fantasia que ocorre na cabeça dela, tal como quando é "raptada" no funeral do pai por um homem misterioso num cavalo, que a leva para uma comunidade só de crianças, onde se liberta e se descobre enquanto mulher. Outras cenas são algo estranhas, como a a "violação" na floresta (e aqui violação está propositadamente entre aspas), que mais tarde vimos a perceber ter sido encarada por ela como necessária para a sua descoberta. Já quase no final do livro surge a cena que me custou mais a ler, devido à violência retratada.
O percurso dela leva-a a conhecer personagens suis generis (tal como ela própria), terminando a meu ver de forma algo estranha.


Gostei do livro mas não é uma leitura para todo o tipo de leitores, já que é intimista, reflexiva, com fantasia e sexo à mistura. Uma miscelânea que acaba por resultar bem!


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Desafios: #bookbingoleiturasaosol2019


Mais um desafio de Verão, a decorrer entre 21 de Junho e 22 de Setembro.As regras são simples, um livro por categoria, num total de 16.
Quem fizer bingo ganha uma maior cultura literária :) ! Quem não fizer ganha na mesma, já que cada livro que lemos contribui para a nossa cultura.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Resumo de Junho

Parece que os últimos meses têm vindo a decrescer em numero de leituras. Julgo que tem a ver com o tipo de livros que li (livros que considero mais "densos", de leitura mais demorada) e o facto de me ter dedicado mais a filmes e séries.
Assim, em Junho apenas terminei três  livros, um dos quais começado ainda em maio.
Ontem terminei outro, mas ficará para o resumo de julho.







segunda-feira, 1 de julho de 2019

O "pior" livro que já li (por vontade própria)

Felizmente, enquanto leitora, não costumo ler livros que considere particularmente maus.
Claro que alguns são melhores do que outros e tenho consciência que não gostei de alguns livros por os ler na altura errada.
A Sibila poderá ser um desses, foi a leitura obrigatória no 12º ano do secundário e achei muito difícil de ler. Note-se que com a mesma idade já lia alguns clássicos da literatura portuguesa que muitos detestavam e eu adorava.
Mas aquele livro que me ficou na memória pelos piores motivos, de tão sem nexo que é, foi "Os piores contos dos irmãos Grim"!

Um livro que os autores queriam que fosse humorista mas que não me causou nenhum sorriso... talvez se conhecesse a história real destes irmãos Grim ou um pouco da história local o pudesse ter apreciado de outra forma. Li numa entrevista que comparavam este livro a uma obra de Tarantino, não sei, talvez lhe pudesse dar outra oportunidade... ou talvez o melhor seja não perder mais o meu tempo com uma leitura que, até à data, considero que foi o pior livro que já li por vontade própria!