quinta-feira, 4 de julho de 2019

Opinião: A noite Sagrada", de Tahar Bem Jelloun


"Um homem não tem nada na origem, é verdade, e nada devia ter no fim. Ora inculcou-se ao homem a necessidade de possuir: uma casa, pais, filhos, pedras, títulos de propriedade, dinheiro, oiro, pessoas... Eu estou a aprender a não possuir."


Escolhi este livro para a #MLVoltaaoMundo15, categoria países árabes - Marrocos, um pouco "às escuras" já que a biblioteca local não tem muitas opções. Entrou também para a categoria "um livro de um autor que nunca leste" do #bookbingoleiturasaosol2019.


Conta a história de uma mulher de cerca de 20 anos, que foi criada e viveu como um homem até à noite em que o pai morre e ela se liberta dessa mentira.
Ao longo do livro somos confrontados com alguma fantasia que ocorre na cabeça dela, tal como quando é "raptada" no funeral do pai por um homem misterioso num cavalo, que a leva para uma comunidade só de crianças, onde se liberta e se descobre enquanto mulher. Outras cenas são algo estranhas, como a a "violação" na floresta (e aqui violação está propositadamente entre aspas), que mais tarde vimos a perceber ter sido encarada por ela como necessária para a sua descoberta. Já quase no final do livro surge a cena que me custou mais a ler, devido à violência retratada.
O percurso dela leva-a a conhecer personagens suis generis (tal como ela própria), terminando a meu ver de forma algo estranha.


Gostei do livro mas não é uma leitura para todo o tipo de leitores, já que é intimista, reflexiva, com fantasia e sexo à mistura. Uma miscelânea que acaba por resultar bem!


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