terça-feira, 18 de junho de 2019

Opiniões: Demência e Imortalidade

De forma muito resumida, irei dar a opinião conjunta de dois dos últimos livros que li.

Este livro, Demência, andou um pouco na "boca do povo", foram vídeos no youtube, grupos de leitura no goodreads e  publicações em blogs.
Eu conheci-o através do canal da Dora Santos Marques, que no final de 2018 fez um vídeo bastante sentido sobre este livro. Fiquei logo com vontade de o ler mas estava esgotado.
Em 2019 este livro foi reeditado, a Dora fez incluisivé uma entrevista com a autora e foi também ela que me emprestou este volume para ler (temos um clube de leitura em conjunto aqui onde moramos).
Mas voltando à minha opinião, em primeira instância, este é um livro sobre violência doméstica, de vários tipos e em várias gerações, sendo que o que se passou na geração da sogra (Olímpia) algo tão abjecto como impensável (mas de alguma forma verossímil).
Mas é também um livro sobre sobrevivência e resiliência, sobre a demência de uma idosa mas também a demência de toda uma aldeia, que ostraciza uma mulher (Letícia) ilibada pela justiça mas condenada pelos habitantes. Porque o "filho da aldeia" era tão bom rapazinho que era impossível ter feito mal à put@ que o matou!
Mas temos também histórias de amor, em gerações diferentes e de diferentes apresentações.
Gostei da descrição da vida na aldeia (porque eu própria passei muitas férias numa pequena aldeia), da história de amor platónico/pueril de Sebastião e Olímpia. já a história de amor entre Gabriel e Letícia pareceu-me um pouco "forçada" na história. 
Este é sem duvida um bom livro, cheio de nuances e várias camadas. Confesso que a parte final não me encheu muito as medidas, por isso não ter dado a classificação máxima. Se recomendo a leitura? Sem dúvida!


Imortalidade parte de uma premissa interessante: quando uma pessoa nasce faz um teste genético, que prevê a idade da sua morte. os que alcançam determinada fasquia são denominados longevos, passando a integrar um programa do estado, onde têm direito a vários tratamentos e "substituições" que lhes prolongam a vida e a aparência, podendo mesmo viver para lá dos 300 anos. Aliás, a "terceira vaga" aproxima-se, onde está prometida a vida eterna.
No entanto, nem todos estão satisfeitos com a promessa de vida eterna, surgindo o auto denominados Clube do Suicídio, que clama pelo direito a morrer.
A personagem principal, Lea, é uma longeva que aspira pela terceira vaga, possuindo uma carreira de sucesso na bolsa de orgãos e um companheiro com perfil genético igualmente favorável. No entanto, um dia reencontra o seu pai, desaparecido à 80 anos, que vem mais tarde a saber, pertence a ao clube do suicídio.
 Ao longo do livro, e devido a algumas ocorrências do passado, ela é confrontada com uma série de novas informações e dilemas, que a levam a por em causa aquilo em que acredita.
Gostei da premissa da história e mesmo da escrita, no entanto julgo que algumas partes deveriam ter ser mais aprofundadas. Aliás, a vida eterna pode não ser uma bênção nem a morte uma tragédia e estes dois pontos poderiam ter sido alvo de uma maior reflexão.



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