Por vezes há livros que não lemos na altura certa ou com os conhecimentos certos. Penso que este foi um deles.
A história é boa, a escrita também, mas não resultou plenamente para mim.
Neste livro temos uma família de "brancos", em 1981, que foge da cidade onde vive, devido a uma revolução da maioria negra do país contra a minoria branca no poder. Seguem então o seu criado July para a aldeia natal dele, onde vão viver numa das cabanas, longe das mordomias a que estavam habituados e numa realidade bem diferente da sua.
A relação com July fica também diferente e com alguma tensão implícita, por um lado continua com algumas atitudes servis, por outro tenta emancipar-se, "ficar por cima" e vai-se apoderando de alguma forma dos bens dos antigos patrões, como se estes quase fossem prisioneiros daquele local. Tudo de forma educada e ordeira mas nota-se que a família se vai sentindo prisioneira do local, mas agradecidos por terem onde se abrigar da convulsão da cidade.

Tal como nos seus outros romances, Nadine Gordimer em A gente de July aborda o tema do Apartheid, através de uma história que decorre num futuro hipotético, tendo o livro sido banido do ensino já depois da queda do apartheid.
Nadine Gordimer venceu o Booker Prize em 1974 e o Prémio Nobel da Literatura em 1991, e foi uma voz influente contra a segregação durante o regime do appartheid. Mas não só, ela participou activamente noutras "lutas" (racismo, sida ou qualquer tipo de descriminação) sendo uma figura sobre a qual vale a pena saber mais.
Fonte da imagem: Artnet
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