Em primeiro lugar quero realçar a escrita da autora: é maravilhosa, poética, com ritmo, com recuso a diversas figuras de estilo.
Cativante.
Este livro gira à volta de dois gémeos biovulares e de um terrível acontecimento na sua infância.
A história vai sendo contada em lapsos de tempo, ora estamos no presente, ora saltamos para o passado, sendo que nem sempre é fácil acompanhar a acção. É, portanto, um livro para se ler com atenção.
Com criticas nas entrelinhas à sociedade indiana - o sistema de castas, a pobreza, a sujidade, a corrupção, a violência da policia - ao papel da mulher - a mulher servil, a mulher divorciada que não tem lugar em lado nenhum, ficando dependente da boa vontade dos homens da família para sobreviver... a mulher que sofre de maus tratos pelo marido (o que percebemos ser encarado como "normal" naquela sociedade).
"Chovia quando Rahel regressou a Ayemenem. Oblíquas cordas prateadas estoiravam sobre a terra solta, sulcando-a como pólvora. A velha casa na colina usava o telhado inclinado com beiral como quem usa um chapéu de aba descaída enterrado até às orelhas. (...) O jardim selvagem e pujante estava repleto do sussurro e frémito devidas diminutas. (...) Rãs amarelas, enormes e esperançadas, navegavam pelo lago escumoso à procura de parceiros."
Este livro gira à volta de dois gémeos biovulares e de um terrível acontecimento na sua infância.
A história vai sendo contada em lapsos de tempo, ora estamos no presente, ora saltamos para o passado, sendo que nem sempre é fácil acompanhar a acção. É, portanto, um livro para se ler com atenção.
Com criticas nas entrelinhas à sociedade indiana - o sistema de castas, a pobreza, a sujidade, a corrupção, a violência da policia - ao papel da mulher - a mulher servil, a mulher divorciada que não tem lugar em lado nenhum, ficando dependente da boa vontade dos homens da família para sobreviver... a mulher que sofre de maus tratos pelo marido (o que percebemos ser encarado como "normal" naquela sociedade).
É também uma história de amor, a dos gémeos pela mãe Ammu e por Velutha, o de Ammu por Velutha - o intocável, o de Chacko pela ex. mulher Margaret, o de Baby Kochamma pelo Padre Mulligan.
Um livro complexo, uma história envolvente. Recomendo
☆☆☆☆
Li este no ano passado e gostei mesmo muito, é muito forte!
ResponderEliminarTenciono ler ainda este ano O Ministério da Felicidade Suprema, que foi traduzido por uma amiga do FB (e foi através dela que conheci esta autora). Ela falou bem do livro, pelo que estou bastante curiosa.
EliminarUau, adorava traduzir literatura! Traduzir Arundhati Roy deve ter sido uma experiência fantástica :) também o hei de querer ler, sim!
EliminarO trabalho de tradutora deve ser muito giro sim, especialmente para quem gosta de ler. No entanto, ela queixa-se que muitas vezes aparecem-lhe livros que são uma verdadeira "estopada", de géneros que ela não gosta nada. Mas é o trabalho dela, portanto lá os tem de traduzir!
ResponderEliminarSim, acredito - isso e ter de "entrar" tanto num livro que se deixa de conseguir gostar dele...
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