segunda-feira, 11 de junho de 2018

Lista de desejos #1

Ao longo do tempo vamos coleccionando uma lista de autores que queremos conhecer, ou livros que temos curiosidade em ler.
Estas sugestões surgem de blogs literários, notícias de jornal, vídeos do booktube ou simplesmente de conversas com outros amantes da leitura (infelizmente cada vez mais raros).

Aqui estão alguns...

  • Natalia Ginzburg
Natalia Ginzburg (1916 - 1991), judia, é uma das mais expressivas autoras do pós-guerra em Itália. Foi colaboradora da editora Einaudi durante muitos anos, mantendo contacto com expoentes da cultura italiana como Cesare Pavese e Italo Calvino. Nos seus primeiros escritos percebemos a influência de autores russos, em especial de Tchekhov. O cerne das suas narrativas é o ambiente doméstico: os relacionamentos e conflitos de um núcleo familiar. Aos 75 anos, foi eleita deputada independente e exerceu as suas funções no Parlamento italiano. Natalia Ginzburg é mãe de Carlo Ginzburg, historiador, antropólogo e especialista na análise dos processos da Inquisição nos séculos XVI e XVII.
in: Livros Cotovia

"Na casa de meu pai, quando era menina, à mesa, se eu ou meus irmãos virávamos o copo na toalha, ou deixávamos cair uma faca, a voz dele trovejava: — Não sejam malcriados! Se molhávamos o pão no molho, gritava: — Não lambam os pratos! Não façam porcarias! Não façam melecas! Para meu pai, porcarias e melecas eram também os quadros modernos, que não podia suportar (...)
"
"Léxico Familiar" in: Companhia das letras

  • Golgona Anghel
Golgona Anghel é romena, mas vive em Portugal há vários anos e escreve em Português. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (2003) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.











Vim porque me pagavam,
e eu queria comprar o futuro a prestações.

Vim porque me falaram de apanhar cerejas
ou de armas de destruição em massa.
Mas só encontrei cucos e mexericos de feira
metralhadoras de plástico, coelhinhos da Páscoa e pulseiras
de lata.

A bordo, alguém falou de justiça
(não, não era o Marx).
A bordo, falavam também de liberdade.
Quantos mais morríamos,
mais liberdade tínhamos para matar.
Matava porque estavas perto,
porque os outros ficaram na esquina do supermercado
a falar, a debater o assunto.

Com estas mãos levantei a poeira
com que agora cubro os nossos corpos.

Com estas pernas subi dez andares
para assim te poder olhar de frente.

Alguém se atreve ainda a falar de posteridade?
Eu só penso em como regressar a casa;
e que bonito me fica a esperança
enquanto apresento em directo
a autópsia da minha glória. "

  • Possidónio Cachapa
Escritor, argumentista e realizador, português.
Autor de diversos romances, contos e novelas, entre os quais se destacam Nylon da Minha Aldeia (1997), adaptado ao cinema, e Materna Doçura (1998), além de diversos contos, crónicas, livros infantis e peças de teatro.
Entre outros filmes realizou Adeus à Brisa, sobre a vida e obra de outro escritor, Urbano Tavares Rodrigues.





"Aqueles que afirmam existir mais coisas no céu que na terra, têm razão e não têm, por serem ambos a mesma coisa, embora em planos inversos. Todas as almas sabem disto, quando estão no etéreo, à espera de reencarnar, mas depois esquecem-se, quando mergulham no limbo e se agarram ao corpo mirrado de uma coisa viva que há-de ser.
E, tenho para mim, que as beatas não fazem por mal quando batem no peito e censuram o resto do mundo por não ser igual a si. Buscam, talvez, um comportamento livre dos corpos que as aproxime do que elas foram um dia: uma coisa diáfana e sem corpo, desprendidas da realidade da carne."
'Viagem ao Coração dos Pássaros', in Citador




Sem comentários:

Enviar um comentário